quarta-feira, 29 de setembro de 2010

PESQUISAS SOBRE EXPERIÊNCIAS TRANSCENDENTAIS

     O Neurocientista Mario Beauregard, na sua conferência "O cérebro, a mente e as esperiências transcedentais" feita no I Simpósio Internacional Explorando as Fronteiras da Relação Mente-Cérebro, falou também sobre pesquisas que tem sido feitas sobre estados alterados de consciência (EAC) e da pesquisa que fez com freiras carmelitas. O artigo de Beauregard que reproduzo abaixo saiu na revista Psique Ciência & Vida (ed. Escala, ano V, ed. 56, agosto/2010), no dossiê "Fenômenos Mediúnicos". o texto citado literalmente e as fotos foram tiradas do site da revista - http://psiquecienciaevida.uol.com.br/ESPS/Edicoes/56/artigo182030-1.asp.


     Estes estudos enfraquecem ainda mais os pressupostos materialilistas que, como Beauregard enfatiza, não são científicos, mas sim metafísicos. Numa próxima postagem, voltarei a este assunto, lembrando o que é Metafísica e porque Beauregard (e vários outros eminentes cientistas e filósofos) considera que as proposições materialistas não são Ciência, mas sim Metafísica (uma parte da Filosofia).


     Reproduzo, abaixo, parte da narrativa de Beauregard:

shutterstock
     "A última década testemunhou um interesse crescente na compreensão dos mecanismos cerebrais que medeiam experiências transcendentais, caracterizadas por estados alterados ou expandidos de consciência. Envolvidas numa dimensão fundamental da existência humana são observadas em todas as culturas, e frequentemente relatadas em tradições religiosas e espirituais. De acordo com o filósofo Walter Stace, experiências místicas envolvem a vivência integrativa com o Todo em unidade, o Um completo sem fragmentos sensoriais ou racionais dispersos. Stace propõe que os principais aspectos das experiências místicas são: (1) o desaparecimento de todos os objetos mentais da consciência ordinária e a emergência de uma consciência pura ou unitária; (2) um sentido de objetividade ou realidade; (3) sentimentos de paz, leveza e alegria; (4) a sensação de ter encontrado o sagrado ou divino (algumas vezes identificado como "Deus") e (5) a transcendência do espaço e do tempo."


      "As experiências transcendentais podem ser provocadas pela ingestão de medicamentos que alteram a mente, substâncias naturais com impacto neuroquímico, práticas xamânicas, meditação, hipnose, e experiências de quase morte (EQM). São também decorrentes de práticas religiosas/espirituais regulares e, além disso, podem ocorrer sem nenhuma razão aparente. Tais experiências, muitas vezes, levam a profundas mudanças dos sistemas de crenças, da visão de mundo e transformam atitudes e comportamentos diários, assim como as relações interpessoais e a autopercepção da identidade."

Microestímulos elétricos

      "Michael Persinger, neurocientista da Universidade Laurentian, especulou que as experiências transcendentais são evocadas por microestímulos elétricos nas estruturas do lobo temporal. Persinger e seus colegas desenvolveram um capacete que emite fracos campos eletromagnéticos nessa região, e afirmou que um grande número de participantes relataram uma presença espiritual próxima a eles. Pehr Granqvist e colegas da Universidade de Uppsala, com o mesmo equipamento, testaram estudantes universitários, alguns dos quais foram expostos a campos eletromagnéticos no lobo temporal e outros não. Dos únicos três participantes que relataram fortes experiências espirituais, dois eram membros do grupo controle (ou seja, eles não foram expostos a estes campos). Esta tentativa de replicação sugere que a sugestão psicológica pode ser a melhor explicação para os resultados de Persinger."


      "Estudos de neuroimagem funcional também investigaram indivíduos com experiências transcendentais. Andrew Newberg e colegas utilizaram o método SPECT (Single Photon Emission Computed Tomography), para avaliar o fluxo sanguíneo cerebral de freiras franciscanas, enquanto realizavam uma "oração guiada" para abertura da conexão com Deus. O estudo mostrou o decréscimo significativo da atividade no lobo parietal, envolvido na orientação espacial e temporal. Os autores propuseram que essa mudança estava relacionada com um sentido modificado do espaço e do tempo experimentado pelas freiras durante a oração."



     "Estudos de neuroimagem funcional também investigaram indivíduos com experiências transcendentais. Andrew Newberg e colegas utilizaram o método SPECT (Single Photon Emission Computed Tomography), para avaliar o fluxo sanguíneo cerebral de freiras franciscanas, enquanto realizavam uma "oração guiada" para abertura da conexão com Deus. O estudo mostrou o decréscimo significativo da atividade no lobo parietal, envolvido na orientação espacial e temporal. Os autores propuseram que essa mudança estava relacionada com um sentido modificado do espaço e do tempo experimentado pelas freiras durante a oração."

As experiências transcendentais podem ser provocadas pela ingestão de medicamentos que alteram a mente, substâncias naturais com impacto neuroquímico, ou pelas práticas xamânicas, de meditação, hipnose, e experiências de quase morte (EQM)
     "Recentemente, utilizamos a ressonância magnética funcional (fMRI) e a eletroencefalografia (EEG), para mensurar a atividade cerebral durante um estado místico em 15 freiras carmelitas. Experimentalmente, as freiras sentiram a presença de Deus, seu amor incondicional e infinito, assim como plenitude e paz. Os resultados mostraram que várias regiões e sistemas cerebrais mediaram os diferentes aspectos da experiência mística. Esta conclusão não foi uma surpresa, dado que estas experiências são complexas e multidimensionais, isto é, implicam em mudanças na percepção (como a imagem mental visual), na cognição (por exemplo, as representações do Eu), e na emoção (a paz, alegria e amor incondicional). Quanto ao estudo de EEG, os resultados indicaram que experiências místicas estiveram associadas a mudanças neuroelétricas relativas a várias áreas corticais em ambos os hemisférios. Portanto, a teoria sobre "o ponto de Deus" - postulava que um ponto no cérebro seria responsável pela criação da experiência com o divino - foi derrubada com os estudos recentes em neuroimagem. Vale lembrar que, elucidar os circuitos neurais envolvidos nas experiências subjetivas como a prece, o contato com Deus ou a vivência mística não diminui e tampouco deprecia seus significados e valores."


domingo, 26 de setembro de 2010

O CÉREBRO, A MENTE E AS EXPERIÊNCIAS TRANSCENDENTES - Continuação

Continuando o relato da conferência do neurocientista canadense Mario Beauregard:
O CASO PAM REYNOLD

Outros estudos relatados parecem falsear o pressuposto materialista do "localismo", ou seja, que a mente só atua no corpo, não há ação à distância.

Um caso muito estudado que parece fasear o "localismo" é o de Pam Reynolds. Em 1991, Pam Reynold estava com um grande aneurisma na base do cérebro, de difícil e perigosa operação. Optou-se, então, por um novo procedimento operatório desenvolvido pelo Dr. Robert Spetzler que diminuiria em muito o risco operatório: consistia em abaixar a temperatura corporal da paciente a 17 graus centígrados, com paralisação dos batimentos cardíacos e das ondas cerebrais. Pam Reynold ficou, então, clinicamente morta por cerca de uma hora!

Nas condições em que estava, toda os pressupostos materialistas dizem ser impossível qualquer consciência. Contudo, após acordar da bem-sucedida operação, Reynold relatou uma experiência fora do corpo, descrevendo com precisão diálogos entre os médicos e enfermeiros, procedimentos operatórios que estavam realizando, instrumentos que estavam usando. Além disto, narrou a experiência com uma luz maravilhosa que sentiu como o princípio de tudo no Universo. E que a sua alma, sua identidade fazia parte desta luz. Esta experiência a transformou profundamente.

No You Tube há um vídeo com legendas em português, com entrevistas com ela e seus cirurgiões. A opção incorporar foi desativada para este vídeo, mas poderá ser visto em  http://www.youtube.com/watch?v=v5VSpxaOUOY&NR=1. Este vídeo legendado é a parte final do vídeo completo em inglês, produzido pela BBC, que está abaixo:



Como curiosidade, há um filme de 1990, com a Julia Roberts (e vários outros bons atores), "Linha Mortal" (Flatliners no título original), que foi provavelmente inspirado no procedimento do Dr. Spetzler. Mas não foi inspirado no caso Reynold que ocorreu em 1991.

Simp. Inter. Explorando as Fronteiras da Relação Mente-Cérebro - 25/09/2010

Conferência: "O CÉREBRO, A MENTE E AS EXPERIÊNCIAS TRANCENDENTES".


Esta foi, para mim, uma das conferências mais interessantes do simpósio. O conferencista foi o canadense Mário Beauregard, MD, PhD, Professor Associado de Pesquisa da Universidade de Montreal (Departamento de Psicologia e Radiologia, e Centro de Pesquisa em Neurociência). Vou resumir alguns pontos da conferência. Numa segunda postagem contarei mais.


Pressupostos Materialistas

Ele começa expondo os pressupostos materialistas assumidos por grande parte da comunidade científica, como por exemplo: "Tudo no Universo pode ser explicado em termos de partículas elementares e forças físicas."


Outros pressupostos:

  • Reducionismo: a causação só se dá do mais simples para o mais complexo. Isto é, o todo não influencia a parte e sim esta àquele. Por isto, para entender qualquer fenômeno, temos que analisá-lo a partir dos seus componentes mais elementares. Assim, para entendermos a mente, basta estudarmos o cérebro em seus neurônios e componentes ainda mais básicos. Entendendo como estes funcionam, seremos capazes de explicar funcionamento do cérebro e, portanto, da mente.
  • Determinismo: os estados futuros podem ser previstos através da análise dos estados atuais. Ou seja, o pressuposto mecanicista expresso por Laplace (o matemático francês do sec. XIX, Pierre Simon de Laplace) do universo-relógio. Laplace afirmava que se pudéssemos conhecer a posição e a velocidade de todas as partículas do universo em um determinado instante, seríamos capazes de prever o futuro de tudo o que existe, inclusive o das pessoas e todos os detalhes da de suas vidas (citado por Marcelo Gleiser no seu livro "Criação Imperfeita" - Rio de Janeiro: Record, 2010). Este pressuposto torna o livre-arbítrio uma ilusão: não passaríamos de robôs biológicos pré-programados que têm uma ilusão de que são livres.
  • Localismo: Tudo interage apenas com o que está mais próximo. Não há ação à distância. Ou seja, a mente não atua fora do corpo. Telepatia, clarividência e outros fenômenos do tipo são ilusões. E, é claro, morreu, acabou. A mente só funciona com o cérebro. 
Outro pressuposto é que a mente não passaria de um epifenômeno do cérebro, sito é, um subproduto do funcionamento cerebral.


Uma outra posição materialista é de que os estados mentais são idênticos aos estados cerebrais. Explicando estes, explicaremos automaticamente a mente. (Veja sobre outras críticas aos pressupostos materialistas em "Porque o Materialismo é Metafísica e não uma Teoria Científica" - Parte 1 e Parte 2, ambas postadas em 15/10/2010).


Evidências Experimentais que Parecem Falsear os Pressupostos Materialistas Reducionistas e Deterministas


Experimento com Jovens Adultos

Beauregard conduziu uma experiência mapeando o cérebro (através de ressonância magnética funcional) de homens jovens adultos para verificar a possibilidade do controle mental  consciente sobre instintos básicos, visando verificar o pressuposto determinista de que somos apenas robôs biológicos.


Na 1a. etapa do experimento, os sujeitos assistiam uma sequência de slides eróticos, o que tende a ativar áreas do sistema límbico do cérebro (o chamado "cérebro emocional"), ligadas ao processamento das emoções e impulsos sexuais. E foi o que aconteceu.


Na 2a. etapa, orientou os jovens para que se separassem das suas emoções, evitando se identificar com elas, apenas as observando, um processo utilizado em meditações orientais (Budismo e Zen Budismo) denominado "mind fulness" (traduzível para o português como "atenção plena"). Monges budistas meditam milhares de horas, desenvolvendo assim a habilidade da atenção plena. No caso, os sujeitos receberam, para esta 2a. etapa, apenas um brevíssimo treinamento de meia hora em atenção plena. Contudo, quando se submeteram novamente à sessão de slides eróticos numa atitude de atenção plena, a ativação do sistema límbico desapareceu...


Experimento com Placebo em Pacientes com Parkison

Há evidências de que a deterioração dos receptores do neurotransmissor dopamina que ocorre no paciente com Parkison tem papel importante nos sintomas e desenvolvimento desta doença. Neste experimento, recrutou-se pacientes voluntários com Parkinson que já haviam perdido cerca de 80% dos receptores de dopamina. Deu-se a eles um placebo (uma simulação neutra de remédio, sem qualquer efeito). Os pacientes acreditavam estar tomando uma nova e poderosa medicação para sua doença.

Após tomarem o placebo, verificou-se que os pacientes, em média, começaram a liberar dopamina num nível equivalente a jovens adultos saudáveis. Além disto, vários sintomas do Parkinson foram revertidos...

Algumas Conclusões

Os experimentos descritos acima, além de vários outros, indicam que crenças, pensamentos, foco da atenção, desejos, percepções das pessoas podem modificar significativamente o funcionamento do sistema nervoso autônomo, sistema endócrino e sistema imunológico. E há evidências que sugerem a possibilidade de modificações também na expressão dos genes, ou seja, a ativação ou desligamento de deteminados genes do genoma humano, com consequentes modificações permanentes no organismo. Contudo, há necessidade de mais estudos neste sentido.


Em suma, as evidências experimentais acima e várias outras apresentadas na conferência ou mencionadas nas referências parecem falsear (tornar falso) os pressupostos materialistas

  1. que efeitos na mente devem-se apenas a causas orgânicas e que a mente não tem efeito significativo no funcionamento orgânico;
  2. que apenas temos ilusão de livre-arbítrio, pois o nosso comportamento é pré-determinado (a idéia do robô orgânico);
  3. que a mente é um epifenômeno do cérebro;
  4. que os estados mentais são idênticos aos estados cerebrais.


sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Simpósio Internacional Explorando as Fronteiras da Relação Mente-Cérebro

        A 1a. conferência do Simpósio foi "Ciência e Mente: análise empírica e filosófica do cartesianismo e do materialismo reducionista", apresentada por Robet Almeder, PhD (EUA), Prof. Emérito de Filosofia na Georgia State University.
       Almeder discutiu a oposição "materialismo reducionista" ao "dualismo cartesiano". O primeiro refere-se ao paradigma materialista predominante na comunidade científica atual, que poderia ser chamado de materialismo eliminativo, pois elimina qualquer possibilidade de que algo não material possa existir. O segundo, à posição de Descartes sobre a natureza dualista do homem: corpo e espírito.
       Almeder indica as cinco críticas principais ao dualismo cartesiano:
  1. Não é empiricamente testável ou confirmável.
  2. É, em princípio, testável e confirmável, mas não há evidências suficientes que o confirmem.
  3. É testável e confirmável, foi testado e refutado.
  4. É desnecessário como explicação.
  5. Não pode servir para explicar qualquer coisa.
       A 1a. crítica parece provir de uma concepção muito estreita da Ciência, pois há sim formas possíveis de se testar o dualismo que serão discutidas a partir do item 2. Esta posição parece não levar em consideração a natureza dinâmica e evolutiva da ciência.
       A 2a. crítica parte de uma posição mais flexível, pois leva em consideração evidências bem documentadas, como relatos empiricamente confirmados de crianças que parecem se recordar de uma encarnação anterior (vejam, p. ex., os vídeos neste blog: "Impressionantes evidências de uma possível encarnação anterior - parte 1 e parte 2", o vídeo produzido pelo Discovery Channel e a reportagem no Fantástico sobre reencarnação). Contudo, a posição dos que a defendem é de que apenas algumas pessoas parecem se recordar de vidas anteriores. Se existisse mesmo reencarnação, todos se lembrariam... Parece claro que esta objeção parte de uma visão superficial do fenômeno que se quer analisar. 
       Se físicos  como Einstein assumissem posições tão rígidas perante os fenômenos naturais, talvez ainda estivéssemos estudando apenas a física de Newton. Esta posição lembra a lenda grega de Procusto que assaltava os viajantes e os amarrava num leito de ferro que tinha seu tamanho exato. Se fossem menores do que o leito, esticava-os com um mecanismo de cordas até que atingissem o tamanho "certo". Se fossem maiores do que o leito, cortava-lhes um pedaço para se adequarem... Assim parecem fazer alguns pesquisadores com os fatos, procurando adaptá-los às suas concepções e não, como deveriam, estas aos fatos.
       A 3a. crítica é ainda mais rígida na sua tentativa de adequar os fatos ao leito de Procusto de uma concepção demasiadamente estreita da ciência. Pressupõe que a idéia do espírito foi já refutada pela ciência. Mostra ignorância e/ou puro preconceito.
       A 4a. crítica lembra a atitude do brilhante matemático francês, Laplace, que presenteou Napoleão com a "Mecânica Celeste", sua obra prima, e quando o imperador surpreendeu-se por não ter encontrado na obra qualquer menção  a Deus, Laplace respondeu: "Majestade, não tenho necessidade desta hipótese." (do livro de Marcelo Gleiser, "Criação Imperfeita", p. 94. Rio de Janeiro: Record, 2010). A resposta de Laplace refletia a autoconfiança excessiva dos cientistas do século XIX, muitos pensando (e afirmando) que havia apenas detalhes a serem ainda descobertos pelo homem sobre o Universo. 
       Passados mais de cem anos, o conhecimento científico tendo crescido exponencialmente deste aquela época, muitos cientistas de ponta estão muito mais humildes, mais próximos do que disse Newton pouco antes de morrer: "Não sei como apareço aos olhos do mundo; aos meus próprios, pareço ter sido apenas como um menino, brincando na praia, e divetindo-me em encontrar de vez em quando um seixo mais roliço ou uma concha mais bela que de ordinário, enquanto o grande oceano da verdade jazia todo inexplorado à minha frente." (http://efisica.if.usp.br/mecanica/curioso/historia/newton/).
       A 5a. crítica parece ser o ápice do preconceito dogmático e não merece, a meu ver, maiores discussões.
       Devo confessar que o escrevi acima reflete apenas parcialmente o que Almeder falou na conferência, por três razões principais: (1) esta foi um pouco truncada, tendo o conferencista cortado algumas partes do que planejara falar, para se adequar ao tempo, o que dificultou um pouco o entendimento; (2) a tradução simultânea por vezes não conseguiu acompanhá-lo e, em algumas ocasiões foi algo imperfeita (e meu ouvido também está imperfeito,  "enferrujado" para o inglês falado); e (3) Almeder não se posicionou claramente sobre o tema, ficando mais "em cima do muro". Desta forma, embora muitos dos argumentos acima sejam do conferencista, as citações e conclusões são mais minhas, pois o percebi relutante em tomar posições mais definidas.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

CRIVOS DA RAZÃO - Parte 1: Raciocínio Dedutivo

Na dúvida, abstém-te, diz um dos vossos antigos provérbios. Não admitais, pois, o que não for para vós de evidência inegável. Ao aparecer uma nova opinião, por menos que vos pareça duvidosa, passai-a pelo crivo da razão e da lógica. O que a razão e o bom senso reprovam, rejeitai corajosamente. Mais vale rejeitar dez verdades do que admitir uma única mentira, uma única teoria falsa.” (Espírito ERASTO - O Livro dos Médiuns, cap. XX, item 230).

A frase de Erasto tem sido muito citada. Mas o que é realmente o “crivo da razão”? Em 1o. lugar, o que é crivo? Simplesmente peneira, ou coador, informa-nos o dicionário Aurélio. Portanto, passar pelo crivo da razão é passar pela peneira da razão. E quais são as peneiras da razão? Esta é a proposta desta série de textos dos quais esta é a 1a. parte: apresentar e analisar algumas das principais peneiras da razão. Para isto, vou adaptar parte do prático e didático “Kit de Ferramentas da Filosofia” (“Guia Ilustrado Zahar: Filosofia” - Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2008) do filósofo Stephen Law, professor do Heythrop College da Universidade e Londres e editor de Think, o periódico do Royal Institute of Philosophy para o público geral. Eventualmente poderei usar definições da Encyclopedia Britannica (www.Britannica.com) ou da Stanford Encyclopedia of Philosophy (plato.stanford.edu).

RACIOCÍNIOS LÓGICOS

Em primeiro lugar, vamos entender o que é um raciocínio lógico. Normalmente, ao falarmos em raciocínio lógico, nos referimos a uma sequência de uma ou mais premissas e uma conclusão. O raciocínio lógico é também chamado de argumentação lógica. Os dois tipos básicos de raciocínio lógico são o dedutivo e o indutivo.

Raciocínio Dedutivo

Um exemplo simples de raciocínio dedutivo:
Premissa 1: João mora em S. Paulo.
Premissa 2: Todos que moram em S. Paulo, moram no Brasil.
Conclusão:  João mora no Brasil.

No raciocínio dedutivo, se as premissas levarem logicamente à conclusão, dizemos que o raciocínio é válido. É o caso do raciocínio acima. Se as premissas forem verdadeiras, a conclusão também será. Se alguém afirmar as duas premissas, mas negar a conclusão, estará cometendo uma contradição lógica.

Muitos acham que todo raciocínio lógico válido é sempre verdadeiro. Mas, veja este exempo:
Premissa 1: Paulo é um ET.
Premissa 2: Todos os ETs moram em Marte.
Conclusão:  Paulo mora em Marte.

Como no primeiro exemplo, este raciocínio é também válido: a conclusão decorre logicamente das premissas. Mas a conclusão é falsa. Por que? Porque as premissas são falsas.

Portanto, para garantir que uma conclusão seja verdadeira, são necessárias duas coisas: (1) que o raciocínio seja válido e (2) que todas as premissas sejam verdadeiras.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Uma parábola sobre o céu e o inferno

O poeta na floresta
Minha amiga Poliana Martins enviou-me esta estória que ela acha ser de Robert B. Dilts, mas não tem certeza. Independente de ser ou não dele, é muito boa, e a adaptei para o blog. Obrigado Poliana!

Conta-se que um poeta estava um dia passeando em uma floresta, quando de repente surgiu diante dele o maior dos poetas romanos, Virgílio. 

Virgílio diz ao apavorado poeta que o destino havia sorrido para ele, pois tinha sido escolhido para conhecer os segredos do Céu e do Inferno. O poeta, apavorado, mas curioso, concorda. Virgílio, então, leva-o primeiramente ao inferno.

Retrato de Virgílio por
Botticelli
Quando chegaram, o poeta ficou surpreso por encontrar um lugar semelhante à floresta onde estavam, e não feito de fogo e enxofre, nem infestado de demônios alados e criaturas nojentas exalando fogo, como ele esperava.

Virgílio conduziu o poeta por uma trilha. Quando se aproximavam de um aglomerado de rochas cobertas de arbustos, o poeta sentiu o cheiro de um delicioso ensopado. Junto com o cheiro, entretanto, vinham misteriosos sons de lamentações e ranger de dentes. 
Virgílio e o poeta com um guia

Ao contornar as rochas, deparou-se com uma estranha cena. Havia uma grande clareira com muitas mesas grandes e redondas. No meio de cada mesa havia uma enorme panela contendo o ensopado cujo cheiro agradável o poeta sentira, e cada mesa estava cercada de pessoas muito magras e famintas. Cada pessoa segurava uma colher com a qual tentava comer o ensopado. O cabo das colheres, entretanto, era duas vezes mais comprido do que os braços das pessoas que as usavam. Devido a isto e ao tamanho da mesa, as pessoas não conseguiam colocar a comida na boca. Havia muita revolta e imprecações enquanto cada pessoa tentava desesperadamente pegar, sem conseguir, pelo menos uma gota do ensopado.

O poeta ficou muito abalado com a terrível cena e suplicou a Virgílio que o tirasse dali. Virgílio, então, transportou-se com ele ao Céu.  Quando chegaram, o poeta surpreendeu-se novamente ao ver uma cena que não correspondia às suas expectativas. Aquele lugar era muito semelhante ao que eles tinham acabado de deixar. Não havia grandes portões de pérolas, nem bandos de anjos a cantar. Novamente Virgílio conduziu-o por uma trilha aonde um delicioso cheiro de comida vinha de trás de rochas e arbustos.

Desta vez, entretanto, o poeta ouviu cantos e risadas ao se aproximaram. Quando contornarem a barreira, ficou muito surpreso por encontrar um quadro quase idêntico ao que eles tinham acabado de deixar: grandes mesas cercadas por pessoas com colheres de cabos desproporcionais e uma grande panela de ensopado no centro de cada mesa. A única e essencial diferença entre aquele grupo de pessoas e o que eles tinham acabado de deixar, era que as pessoas neste grupo estavam usando suas colheres para alimentar uns aos outros.

Esta é, da minha experiência de vida, a grande diferença. O céu e o inferno derivam de atitudes mentais nossas. Fortes evidências a partir de experimentos da Psicologia Cognitiva e das Neurociências indicam que não são os eventos exteriores que nos traumatizam ou nos fazem felizes, mas sim a maneira como os encaramos, como os processamos em nossa mente. E a maneira como processamos estes eventos tem muito a ver com as crenças saudáveis ou não que temos sobre nós mesmos, os outros e o mundo em geral. 

Felizmente, podemos mudar crenças rígidas, preconceituosas e pessimistas em crenças mais saudáveis. Há vários caminhos para isto. A própria Vida nos apresenta inúmeras oportunidades para este aprendizado. Nem sempre conseguimos fazer isto sozinhos, mas, se tivermos "olhos para ver", perceberemos pessoas que podem nos ajudar nestes sentido. E até animais podem ser nossos guias! Quantas vezes tenho visto pessoas com depressão sairem dela ao adotarem e cuidarem de um cão...

Mas, fundamentalmente, lembrar que não estamos sozinhos, que, como diz a bela canção de Tom Jobim (Wave) "é impossível ser feliz sozinho", reafirmando o caminho da felicidade (o Reino dos Céus) iluminado por Jesus: Amarás o Senhor teu Deus de todo o coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito. Este é o maior e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás teu próximo como a ti mesmo. Nestes dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas”. (Mt 22, 34-40). Neste sentido, veja, por exemplo, as postagens posteriores Caridade e RedençãoReflexões sobre o Perdão.

Veja também outras contribuições de Poliana a este blog: "No Reino das Borboletas" e "Pensando por Si Mesmo!"

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Bendita Dúvida


Na última “Mente & Cérebro” (no 212, editora Duetto, com conteúdos da Scientific American), o artigo “Bendita Dúvida” chamou-me a atenção por suas possíveis implicações para a oposição entre a “fé raciocinada” preconizada por Kardec e a “fé cega” valorizada por muitos.


O autor do texto, Wray Herbert, é diretor da Associação Americana de Ciências Psicológicas. Uma chamada logo após o título resume o artigo: “Fixar a mente em uma meta única pode ser contraproducente; com certeza, traçar objetivos é importante, mas questioná-los pode ser decisivo para obter sucesso.”


Herbert reporta sobre recentes experimentos conduzidos pelo psicólogo Ibrahim Senay, da Universidade de Illinois em Urbana-Champaign, que parecem identificar algumas características necessárias para o restabelecimento de dependentes químicos (manutenção da abstinência de longo prazo), “mas também para atingir qualquer objetivo pessoal, desde perder peso até aprender a tocar violão.” Um componente-chave identificado é a “autoconversação”, o diálogo interno através do qual exploramos em detalhes opções, intenções, medos, esperanças etc.





O 1º Experimento

Num experimento de solução de problemas, metade dos voluntários (escolhidos por sorteio), antes de começar a tarefa, “era instruída a ponderar se de fato queria e achava que cumpriria a tarefa”, enquanto que a outra metade (também sorteada) era apenas orientada a trabalhar na tarefa. Os resultados foram surpreendentes: “as pessoas que haviam se questionado sobre o desejo de participar do trabalho se mantiveram mais criativas, motivadas e interessadas nele, completando um número significativamente maior de anagramas [os problemas experimentais], em comparação ao dos voluntários que apenas foram instruídos a cumprir a atividade.

Buscando responder sobre o porquê deste resultado, Senay aventa a hipótese de que “talvez porque as perguntas, por sua própria natureza, transmitem a idéia de possibilidade e liberdade de escolha, e meditar sobre elas pode estimular sentimentos de autonomia e motivação intrínseca, criando uma mentalidade que favorece o sucesso”.

2º Experimento

Para analisar de forma diferente a questão, Senay criou outro experimento: “recrutou voluntários sob o pretexto de que estavam sendo convocados para um estudo sobre caligrafia. Alguns deveriam escrever as palavras ‘Eu quero’ várias vezes, e outros, ‘Será que eu quero?’.” Os resultados foram semelhantes ao do experimento anterior: os participantes que haviam escrito a frase afirmativa, “tiveram pior desempenho que aqueles que tinham redigido a sentença interrogativa”.

3º Experimento

Senay realizou mais uma versão desse experimento, focando “a intenção dos voluntários de iniciar e manter um programa de exercícios físicos”. O resultado foi o mesmo: “aqueles que escreveram a frase interrogativa ‘Será que eu quero?’ mostraram comprometimento muito maior com a prática regular de exercícios do que os que escreveram no início do teste a frase afirmativa ‘Eu quero’.

Foi, também, perguntado aos voluntários deste experimento “se achavam que estariam mais motivados a ir á academia com maior freqüência, os que foram preparados com a frase interrogativa justificaram declarando, por exemplo: ‘Quero cuidar mais de minha saúde’. Aqueles que escreveram a frase afirmativa deram explicações como: ‘Porque me sentiria culpado ou envergonhado se não o fizesse’, mostrando-se mais perseguidos e culpados do que realmente comprometidos”.

Conclusões do autor

Concluindo, “considerando a recuperação de dependentes químicos e o autoaperfeiçoamento em geral, aqueles que declaravam sua força de vontade sem contestações estavam, na verdade, fechando a mente e estreitando sua visão de futuro. Aqueles que se perguntavam sobre os rumos a seguir e conjecturavam possibilidades reafirmavam sua escolha  ̶  e se comprometiam com ela”.

Possíveis implicações para a questão fé raciocinada x fé cega

Estes experimentos e as conclusões do autor parecem fortalecer a posição de Kardec sobre a importância da “fé raciocinada” como base do Espiritismo consciente. Aceitar, mesmo o que Kardec ensina, sem ponderar, sem passar pelo filtro da razão, pode levar a pessoa a fechar sua mente e estreitar sua visão de futuro. Enquanto que questionar, refletir, exercer sua liberdade de escolha, seu livre-arbítrio (a meu ver, um dever, não apenas um direito), poderá “estimular sentimentos de autonomia e motivação intrínseca, criando uma mentalidade que favorece o sucesso”. O sucesso, neste caso, significa a reafirmação da sua opção, seu compromisso concreto (não apenas teórico) com o Espiritismo. 

I Simpósio Internacional Explorando as Fronteiras da Relação Mente-Cérebro

A proposta deste simpósio é apresentar pesquisas desenvolvidas por renomados pesquisadores nacionais e estrangeiros sobre as relações mente-cérebro do ponto de vista científico e filosófico, buscando ir além do paradigma materialista da ciência atual. Vale a pena!

A Trajetória de uma Doutrina: Espiritismo

Acabei de ler uma edição especial da revista "Aventuras na História" da ed. Abril sobre Espiritismo, "A Trajetória de uma doutrina: Espiritismo" (82 pgs). Surpreendeu-me positivamente a abrangência, cuidado e profundidade (para uma revista) da pesquisa realizada para sua edição. Diferentemente da abordagem dada por uma edição passada da "Superinteressante" sobre o mesmo tema, o tom geral é de um bom e respeitoso jornalismo.


Pensei já ter um conhecimento razoável sobre a história do Espiritismo, mas aprendi algo mais com os artigos sobre o Chico, André Luiz, a origem do Espiritismo, Swedenborg, as irmãs Fox, o próprio Kardec, investigações feitas por cientistas, Conan Doyle (o criador de Sherlock Holmes, considerado um soldado do Espiritismo) e o ilusionista Houdini (um dos grandes adversários do Espiritismo).


Em relação ao Brasil, há artigos sobre as origens e o desenvolvimento do Espiritismo aqui, Bezerra de Menezes, ramificações do Espiritismo no Brasil, estatísticas sobre o Espiritismo aqui e no mundo.


Finalmente, uma relação dos livros fundamentais e dos livros clássicos da doutrina, e dos filmes nacionais e estrangeiros abrangendo temas espíritas que fizeram sucesso. Gostei particularmente da extensa linha do tempo descrevendo a evolução do Espiritismo no mundo e no Brasil.

Impressionantes evidências de uma possível encarnação anterior - parte 2

Impressionantes evidências de uma possível encarnação anterior - parte 1

Vídeo sobre o caso de um garoto que parece se lembrar da última encarnação. As evidências apresentadas são impressionantes! Veja também a parte 1.

Congresso Internacional de Educação e Espiritualidade - 3o. dia

A 1a palestra da manhã, “Aspectos filosóficos e psicológicos da Educação Espírita”, foi do Dr. André Luiz Peixinho, da UFBA - Universidade Federal da Bahia, médico, psicólogo e filósofo, presidente da Federação Espírita do Estado da Bahia, entre outros títulos. O conteúdo consistente de sua palestra, além de sua fluência e bom humor, tornaram-na proveitosa e agradável.


Destaco uma das passagens que me ficaram bem gravadas. O Dr. Peixinho estava numa reunião com intelectuais espíritas, quando um deles lhe perguntou: “Kardec está superado?”. Sua resposta foi: “Infelizmente não”. Com isto, comentou, desagradou a todos: com o “não”, aos que eram da opinião de que Kardec estava superado e esperavam que ele os apoiasse, e com o “infelizmente”, aos que encavavam dogmaticamente seus escritos. Explicou o “infelizmente”: a proposta de Kardec é dinâmica, não estática e dogmática, e passados 150 anos ainda não produzimos nada para fazer progredir o Espiritismo, como deveríamos.


Concordo com o Dr. Peixinho quando ele aponta que muitos espíritas mitificam Kardec, apegando-se dogmaticamente ao que ele escreveu, em contradição com o próprio Kardec. Em “Obras Póstumas”, Kardec reitera a advertência que já havia feito claramente na “A Gênese” (cap. I - Caracteres da Revelação Espírita, item 16). O 3o. de três pontos que enfatiza em “Obras Póstumas” (“Constituição do Espiritismo: Exposição de motivos“ - II. Dos cismas) como necessários para que o Espiritismo não se perca em cismas é o “caráter essencialmente progressivo da Doutrina”. Prossegue dizendo (na tradução de João Teixeira de Paula - 12a edição - São Paulo: Lake, 1998) que “por ela se não dever embalar por sonhos irrealizáveis, não se segue que se imobilize. Apoiada, exclusivamente, em leis naturais, não pode ser mais variável que estas leis, mas se uma nova lei for descoberta, deve modificar-se para harmonizar-se com ela; não deve cerrar a porta a nenhum progresso sob pena de suicídio. Assimilando todas as idéias reconhecidamente justas, de qualquer ordem que sejam, físicas ou metafísicas, nunca será posto à margem e é esta uma das principais garantias da sua perpetuidade.” (Os negritos são meus).


Mas discordo quando ele diz não haver progressos a partir de Kardec. No plano espiritual, por exemplo, as obras de André Luiz clareiam e avançam significativamente a partir de pontos que Kardec havia delineado. A meu ver, o Espiritismo após André Luiz mudou, avançou, mas permanece fiel aos seus reais fundamentos.


E no plano dos escritores encarnados, parece ter havido também avanços. É o caso, p. ex., da “A Teoria Corpuscular do Espírito”, de Hernani Guimarães Andrade, posteriormente detalhada na trilogia “Psi Quântico: uma extensão dos conceitos quânticos e atômicos à idéia do Espírito”, “Espírito, Perispírito e Alma: ensaio sobre o modelo organizador biológico” e “Morte, Renascimento e Evolução: uma biologia transcendental”, todos reeditados recentemente pela Casa Editora Espírita “Pierre-Paul Didier” de Votuporanga. São conceitos ousados de um intelectual espírita que militou muitos anos no movimento espírita brasileiro e escreveu em vários dos principais jornais e revistas espíritas. Mas, não é do meu conhecimento qualquer declaração formal de autoridades do movimento espírita a favor ou contra as idéias do Dr. Guimarães. Nem estudos ou experimentos sistemáticos para corroborar ou refutar suas idéias.


E vários outros, inclusive, no plano espiritual, Joanna de Ângelis, pela mediunidade de Divaldo Franco, busca compatibilizar do Espiritismo com a Psicologia Junguiana, p.ex. E outros, como Hermínio C. Miranda, em suas várias obras, busca também avançar além dos escritos de Kardec. Todos estes autores, para se ficar apenas entre alguns dos brasileiros, além de vários outros estudiosos e pesquisadores no exterior, têm produzido reflexões e trazidos idéias inovadoras. Mas falta, na minha opinião, um esforço sistemático para incorporar estas idéias à Doutrina, ou então rejeitá-las. Algumas delas tem sido apenas justapostas à Doutrina, como são vários das informações trazidas por André Luiz, sem contudo um esforço sistemático de as integrar metodicamente.

Reportagem no Fantástico sobre reencarnação

O Fantástico de 08/08/2010 apresentou uma reportagem sobre os casos de duas mulheres aqui no Brasil, investigadas por cientista americano, que aparentemente se recordam, desde a infância e em detalhes, da existência que tiveram numa suposta vida anterior.

A reportagem e um vídeo completo pode ser encontrado em: http://fantastico.globo.com/Jornalismo/FANT/0,,MUL1612230-15605,00.html

Pesquisas sobre sobrevivência pós-morte

Um dossiê publicado na revista Psique no. 56, no qual um grupo de PhD's, coordenado pelo Dr. Júlio Peres, relata suas pesquisas aqui e no exterior sobre sobrevivência do espírito após a morte corporal e outros fenômenos.

Este vídeo produzido pelo Discovery Channel foi descoberto por Marcos Adriano no You Tube. Mostra o interessante e bem documentado caso de uma menina que parece se lembrar de sua vida anterior. No final, há comentários do Dr. Tucker.

Congresso Internacional de Educação e Espiritualidade - 2o. dia

Na 1a palestra - “Evidencias científicas da reencarnação“, o Dr. Jim Tucker, da Universidade da Virgínia, cumpriu o que o título prometia. Abordou as pesquisas que têm sido feitas há quase 50 anos com crianças que se recordam de supostas vidas passadas. Embora as pesquisas do Dr. Ian Stevenson não tenham alcançado a aceitação do establishment científico, conquistou o respeito de alguns cientistas importantes, entre os quais o cético e crítico de misticismos de todo tipo, o astrônomo Carl Sagan, que escreveu:


“Há três questões no campo [da parapsicologia] que, na minha opinião merecem sérios estudos”. A terceira destas questões, ele escreve, é o fato de “que crianças às vezes relatam detalhes de vidas passadas, que, depois de verificados, são constatados exatos e são casos dos quais elas não poderiam ter tido conhecimento de nenhuma outra maneira senão pela reencarnação.” (Sagan, C. The Demon-Haunted World: Science as a Candle in the Dark. New York: Randon House, 1996).


O Dr. Tucker relatou que já foram pesquisadas mais de 2.500 casos de crianças no mundo todo e que estes casos têm características em comum: essas crianças começam a falar sobre suas supostas vidas passadas por volta dos 2 ou 3 anos de idade e geralmente param por volta dos 6 ou 7. Fazem afirmações espontâneas sem uso de hipnose. Descrevem vidas recentes com um intervalo médio de 16 meses entre a sua suposta morte e seu renascimento. As vidas anteriores relatadas são comuns, normalmente no mesmo país. O incomum é a forma como em geral morreram: 70% por causas não naturais.


Casos interessantíssimos e cientificamente bem documentados pelo Dr. Tucker foram relatados, inclusive com fotos e filmes.
Esta palestra foi para mim um excelente fortalecimento da realidade da reencarnação!


A palestra seguinte, da Dra. Antonia Mills, da Universidade da Northern British Columbia - Canadá, foi “Reencarnação e Pedagogia, manifestações e implicações da índia aos povos indígenas do Canadá”. A Dra. Mills começou falando da relação afetiva com o Brasil, pois foi sua vinda aqui, em 1962, em Recife, onde teve contato com tradições indígenas, que despertou seu interesse para o estudo das culturas indígenas. Depois, em 1964, teve contato, pela 1a vez, com a idéia de reencarnação, no contato com os índios Dunezza, no Canadá. Posteriormente trabalhou com o Dr. Stevenson, tendo pesquisado vários casos na índia. Narrou, com fotos, vários casos de recordações, por crianças, de suas vidas passadas e evidências neste sentido.


A 3a palestra foi do Dr. Julio Peres - “Implicações Terapêuticas da Reencarnação”. na qual ele recapitula as pesquisas sobre reencarnação, casos estudados e suas evidências, e as implicações da idéia da reencarnação em confronto com o paradigma materialista predominante na Ciência atual. Descreveu, também, o método criado pela Dra. Júlia Peres - a Terapia Regressiva Vivencial - e alguns resultados obtidos.
A palestra final da manhã foi da Dra. Dora Incontri, “Implicações pedagógicas da reencarnação”. Infelizmente não pude assistir, mas já conhecia relativamente bem suas idéias através de nossas conversas e de seu livro “Pedagogia Espírita, um projeto brasileiro e suas raízes” (Bragança Paulista, SP. Ed. Comenius, 2006). Mas sei que um dos aspectos fundamentais transmitidos, pois está nos Anais do 1o Congresso Internacional de Educação e Espiritualidade e 4o Congresso Brasileiro de Pedagogia Espírita (surpreendentemente para o que conheço de Congressos, saiu junto do próprio, o que atesta o seu excelente planejamento e realização!) foi a idéia de que, com a realidade da reencarnação, “a realização pedagógica se transfigura então: não se trata mais de educar o ser que está se fazendo agora, mas de ajudar uma nova personalidade a se formar, levando em consideração suas personalidades anteriores.”