sexta-feira, 15 de outubro de 2010

POR QUE O MATERIALISMO É METAFÍSICA E NÃO UMA TEORIA CIENTÍFICA - Parte 2


No “I Simpósio Internacional Explorando as Fronteiras da Relação Mente-Cérebro”, o palestrante Robert Almeder, PhD (EUA), lembrou-nos que o materialismo radical, o chamado “materialismo eliminativo” parte do pressuposto de que tudo é redutível a processos físicos e nada existe além destes, e que se há coisas ou fenômenos que não foram ainda explicados apenas fisicamente, isto acontecerá no futuro.




Karl Popper, talvez o maior filósofo da ciência da século XX, chama ironicamente este tipo de materialismo de “materialismo promissório”, como bem lembrou o conferencista e debatedor do mesmo simpósio, Alexander Moreira-Almeida, PhD (Brasil). Na sua crítica, Popper diz que tudo o que o materialista tem a nos oferecer é a sua própria promessa de que, no futuro, tudo será explicado apenas pelos processos físicos. Esta promessa, que vem se repetindo há pelo menos 300 anos na cultura ocidental, continua apenas uma promessa e todo o avanço científico destes 300 anos não parece torná-la mais próxima de se realizar.


Os cientistas que adotam este “materialismo eliminativo” afirmam que são cientistas e, portanto, atem-se aos fatos. Mas, isto na prática não ocorre, porque seus pressupostos materialistas radicais distorcem sua visão da realidade, fazendo-os ver apenas o que confirma seu materialismo e descartando (ou até mesmo não percebendo) o que contraria esta crença (porque é uma crença metafísica, não científica, como já mostramos).

A alegação de que o método científico controla ou mesmo elimina tais distorções perceptivas é cabível, mas apenas em prazos mais longos. A curto e médio prazos, uma concepção ou teoria científica que foi elevada a categoria de “dogma cientifico” (uma contradição, mas isto não impede que ocorra)  pode resistir por décadas a fatos bem documentados que a contrariam. 

Um caso gritante de um dogma deste tipo é idéia de que não nascem novos neurônios em cérebros adultos. Esta concepção, que data do final do século XIX e está associada principalmente ao histologista espanhol Santiago Ramón y Cajal (foto ao lado), resistiu até o final do século XX, apesar de que, desde o início do sec. XX, já havia evidências claras de que não era verdade e, na década de 70, o volume e qualidade científica das evidências produzidas as tornavam científicamente irrecusáveis. Apesar disto, demorou ainda cerca de 20 anos até  serem aceitas pelo stablishment científico. Em defesa de Cajal, é importante ressaltar que ele foi mais cauteloso nas suas conclusões (mais cientista, portanto) sobre o não nascimento de neurônios em cérebros adultos do que seus seguidores.


Veja a 1a. parte desta postagem.

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