sexta-feira, 17 de setembro de 2010

INVICTUS

Um dos episódios fundamentais para a conciliação entre negros e brancos na formação da atual nação da África do Sul foi protagonizado por Nelson Mandela em 1985, que conseguiu unir o país pela linguagem universal do esporte.
Este episódio foi narrado no filme Invictus produzido e dirigido por Clint Eastwood em 2009, com a participação de Morgan Freeman como Mandela e Matt Damon  no papel do capitão do time de rugby François Peinaar.
O nome Invictus deve-se ao poema que foi uma importante fonte de inspiração para Nelson Mandela conseguir se manter emocional e espiritualmente equilibrado durante os 27 anos de prisão. Com isto, saiu de um longuíssimo período de prisão para assumir a presidência de seu país e unir seu povo.
Invictus foi escrito pelo inglês William Ernest Henley (1849-1903). Aos 12 anos de idade, Henley foi vitimado pela tuberculose vertebral (doença de Pott), uma complicação da tuberculose pulmonar que ataca a caixa toráxica e a coluna vertebral, eventualmente se estendendo a outros ossos. Provoca deformação e necrose óssea, podendo levar á morte.
Alguns anos mais tarde, quando já tinha 25 anos, a doença havia progredido para seu pé. Os médicos declararam que o único meio de salvar sua vida seria amputar logo abaixo do joelho. Na cama do hospital, convalescendo após a operação, Henley escreveu o poema Invictus. A despeito de sua doença, ele sobreviveu com um dos pés intacto e levou uma vida ativa até sua morte aos 53 anos.
Quando escreveu este poema, Henley não colocou qualquer título. O conhecido título “Invictus” foi dado por Arthur Quiller Couch, quando incluiu o poema no “The Oxford Book of English Verse”, em 1900.
Este poema impressionou-em muito e o utilizei em trabalhos terapêuticos que fiz com alguns pacientes em psicoterapia. Fiz uma versão do poema para o português, buscando preservar seu espírito, mas tomando algumas liberdades quanto às palavras. A seguir a versão original em inglês, seguida da tradução:


Out of the night that covers me,
Black as the pit from pole to pole,
I thank whatever gods may be
For my unconquerable soul.
In the fell clutch of circumstance
I have not winced nor cried aloud.
Under the bludgeonings of chance
My head is bloody, but unbowed
Beyond this place of wrath and tears
Looms but the Horror of the shade,
And yet the menace of the years
Finds and shall find me unafraid.
It matters not how strait the gate,
How charged with punishments the scroll,
I am the master of my fate:
I am the captain of my soul.
Superando a noite que me cobre,
Negra como o abismo de polo a polo,
Agradeço a quaisquer deuses que por ventura existam
Por minha alma inconquistável.

Na garra cruel da circunstância,
Não tremi nem chorei alto.
Sob a cacetada da sorte,
Minha cabeça está sangrando, mas não abaixada.

Além deste lugar de raiva e lágrimas,
Ameaça, porém, o Horror da escuridão,
Mas até mesmo a expectativa dos anos
Encontra-me e me encontrará sem medo.

Não importa quão estreita a porta,
Quão pesada a lista de sofrimentos,
Eu sou o mestre do meu destino:
Eu sou o capitão da minha alma.

2 comentários:

  1. Leonel,

    Realmente é profundo. Fiz exatamente o que combinamos e percebi a diferença claramente.

    O final "Eu sou o mestre do meu destino:
    Eu sou o capitão da minha alma." é importante ser lembrado nos momentos que nos deparamos com certas insatisfações. As vezes falta lembrar que certas situações nós escolhemos lá atras e, apesar de termos a maior responsabilidade sobre, sempre temos chance de refletir e e tomar novas decisões, pois somos mestres dos nossos destinos.

    Muito obrigada, abs.

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  2. É, este poema é forte, mais ainda quando conhecemos a vida do poeta e as condições nas quais ele o escreveu. Não é à toa que inspirou Mandela em momentos extremos de sua vida, ajudando-o a manter a consciência e a dignidade.

    Fico feliz de tê-la tocado também e ajudá-la na suas batalhas, no seu bom combate como mãe, esposa, dona de casa, profissional, amiga, filha etc....

    Grande abraço!

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