terça-feira, 7 de agosto de 2012

HABILIDADES DE ATENÇÃO PLENA – Parte 1: INTRODUÇÃO


       Num artigo publicado no suplemento do New York Times da Folha de S. Paulo, no dia 24/01/2011, “Os Riscos de Ser Multitarefa na Guerra”, os autores, Thom Shanker e Matt Richtel, analisam os problemas enfrentados por oficiais da inteligência americana. Esses oficiais ficam conectados on line por horas, recebendo e analisando múltiplas informações simultâneas. O trabalho deles pode ser exemplificado por Josh, um tenente de 25 anos da Força Aérea dos EUA, o qual, “durante 12 horas por dia, (...) monitora uma avalanche de imagens em dez telas” (...), simultaneamente em que fica “com um fone em um ouvido, falando com um piloto no ‘headset’ no outro ouvido, digitando no ‘chat’ ao mesmo tempo e olhando as telas”.
       Dizem os autores do artigo que “os militares têm buscado abordagens inovadoras para ajudar os soldados a se concentrar. Num quartel do Exército em Oahu  (Havaí), os pesquisadores empregam o chamado ‘treinamento de aptidão mental baseada na atenção plena’, para tentar ‘reprogramar’ a capacidade de foco do indivíduo. O programa consiste em pedir aos soldados que se concentrem em uma parte do seu corpo, como sentir um pé no chão ou a sensação de estar sentado na cadeira, e que então mudem para outro foco, como escutar o zumbido do ar condicionado”.
       Habilidades de atenção plena, semelhantes às ensinadas a esses oficiais de elite, são centrais à Terapia Comportamental Dialética - TCD, desenvolvida pela Dra. Marsha Linehan, e uma importante técnica auxiliar para a Terapia de Regressão Vivencial criada pela Dra. Maria Júlia Peres.
       Essas habilidades são versões psicológicas e comportamentais das práticas do treinamento espiritual oriental. São baseadas, em grande parte, na prática do Zen. Porém são compatíveis com a maioria das práticas contemplativas ocidentais e de meditação oriental.
       Habilidades de atenção plena são os veículos para equilibrar a "mente emocional" e a "mente racional" e chegar à "mente sábia". Existem três habilidades do tipo "o que" (observar, descrever e participar) e três habilidades do tipo "como" (assumir uma atitude acrítica, concentrar-se em uma coisa de cada vez, ser eficaz).

A)  O foco das habilidades de atenção plena: aprender a controlar a sua própria mente, no lugar de deixar sua mente controlá-lo(a).

Até certo nível, estar no controle da própria mente significa aprender a controlar os processos da atenção - ou seja, aquilo a que se presta atenção e quanto tempo se presta atenção. Pense em exemplos de como sua incapacidade de controlar sua atenção cria problemas e escreva ao menos três.
  
B) Habilidades de atenção plena exigem prática, prática e prática.

Aprender a controlar a própria mente tem a ver com as tradições ocidentais e orientais de meditação desenvolvidas ao longo de milhares de anos. Todas se baseiam na prática, como a capacidade de um mestre de ioga de aguentar a dor, caminhar sobre brasas quentes, etc.

Observações
(1) A meditação costuma ser utilizada no tratamento da dor física crônica e em programas de controle do estresse, e é cada vez mais utilizada no tratamento de transtornos emocionais. Desse modo, a meditação pode ser pratica­da fora de qualquer contexto espiritual ou religioso. 
(2) A prática da meditação oriental é bastante semelhante à oração cristã contemplativa, à tradição mística judaica e a formas de oração ensinadas em outras religiões.

É fundamental a prática concreta para aprender novas habilidades. A prática comportamental inclui praticar o controle da própria mente, atenção, comportamento, do corpo e das emoções.

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