sexta-feira, 29 de outubro de 2010

CRIVOS DA RAZÃO - Parte 3: Argumentação Lógica e Falácias

Esta postagem dá prosseguimento à série "Crivos da Razão", iniciada em setembro com "Raciocínio Dedutivo" e neste mês com "Argumentação Indutiva". Como essas, a "Argumentação Lógica e Falácias" baseia-se no prático   "Kit de Ferramentas da Filosofia" de Stephen Law (Law, Stephen. Guia Ilustrado Zahar: Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 2008). O objetivo desta série é ajudar o leitor a aperfeiçoar seus crivos racionais (peneiras ou filtros) no exame não apenas nas questões científicas, filosóficas e espirituais, mas também nas questões políticas e práticas do dia-a-dia.

ARGUMENTAÇÃO

Em filosofia, como em muitos outros campos, frequentemente queremos justificar racionalmente nossa crença em alguma coisa, ou queremos identificar se há ou não "furos" ou erros numa argumentação de um pregador, um vendedor, um político ou mesmo um filósofo. Uma coisa que nos permite justificar uma conclusão é o uso de raciocínio dedutivo ou indutivo, conforme já vimos.

Portanto, uma maneira possível de aplicar a razão é como um filtro. Você poderia conceber sua mente como uma cesta, na qual todo tipo de crença pode cair - sejam elas sensatas, como a de que a Terra é redonda, ou absurdas, como a de que o núcleo da Terra é feito de queijo. Aplicando suas faculdades de razão a essas várias crenças - submetendo-as a um exame crítico, você pode peneirá-las, só deixando passar as que tenham pelo menos boa chance de ser verdadeiras. 

Quão exigente esse filtro deve ser? Como é sabido, Descartes decidiu submeter todas suas crenças a escrutínio crítico, só deixando passar pelo filtro da sua razão aquelas que não podiam ser postas em dúvida. Uma exigência menos severa, mas ainda muito rigorosa, seria só deixar passar as crenças com alta probabilidade de serem verdadeiras.

FALÁCIAS

Uma falácia é um erro de argumentação. Muitas vezes o erro não é óbvio e as pessoas se deixam enganar facilmente. Alguns dos mais conhecidos raciocínio filosóficos envolvem falácias clássicas. Aprender a detectá-las é, não apenas uma importante habilidade filosófica, mas também uma habilidade que nos ajuda no trabalho, nas negociações, na vida prática.

Raciocínios indutivos e dedutivos convincentes têm a propriedade de preservar a verdade. Se você insere premissas válidas num raciocínio dedutivo, certamente chegará a uma conclusão verdadeira. Num raciocínio falacioso, porém, as premissas não sustentam a conclusão. A estrutura desses raciocínios não preserva a verdade, embora possa parecer fazê-lo. Temos de ser cuidadosos para não sermos induzidos a acreditar em falsidades por tais falácias.

Numa próxima postagem falarei da "falácia relativista", muito comum, e como desarticulá-la.

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