terça-feira, 2 de novembro de 2010

CRIVOS DA RAZÃO - Parte 4: A Falácia Relativista

"Para mim, é verdade" é um comentário comumente feito pelos que se vêem perdendo uma discussão. Ele lhes fornece um curinga conveniente para continuar jogando. As crenças, é claro, variam de uma pessoa para outra. Mas a verdade pode variar da mesma maneira?

VOCÊ ACREDITA EM FADAS?
O que significa exatamente "Para mim, é verdade"? Suponha que você esteja tentando convencer sua amiga louca por fadas que é improvável que as belas borboletas azuis gigantes sejam fadas disfarçadas. Então, ela diz: "Bem, para mim é verdade que elas são mesmo fadas". Estaria ela sugerindo que esta verdade em relação às borboletas azuis é relativa? Que não há verdade independente, objetiva, acerca delas - as coisas são como cada  um de nós acredita que sejam? Por que ela poderia pensar isso?


"ISSO PODE SER FALSO PARA VOCÊ, MAS, PARA MIM, É VERDADE."


Uma confusão comum é deslizar do que é verdade sobre a crença de alguém (ou seja, que é verdade que a pessoa acredita naquilo) para a verdade daquilo em que a pessoa crê (ou seja, que sua crença representa a verdade). Pode ser verdade que creio que Belém, a capital do Estado do Pará, seja o local de nascimento de Jesus. Disso não se segue que minha crença seja verdadeira. Se fosse assim, eu poderia tornar qualquer afirmação verdadeira crendo nela: "Posso voar", por exemplo. Obviamente, a maioria das verdades não é relativa deste modo.


João: A crença em fadas é claramente falsa. Não há nenhum indício de que elas existam, e muitos que não existam. Portanto, é absurdo que você acredite nelas e mais ainda que as borboletas azuis sejam fadas.
Joana: Bem, a existência de fadas pode não ser verdade para você. mas, para mim, é verdade! E é também verdade para mim que as borboletas azuis são fadas disfarçadas!


Algumas verdades parecem relativas. Que larvas de besouro podem ser uma refeição deliciosa, por exemplo, é verdade para alguns aborígines australianos e índios brasileiros, mas falso para pessoas de muitas outras culturas.


VERDADES RELATIVAS
Comete-se essa falácia quando não se demonstra que a "verdade" em questão é, de fato, relativa. Quando uma pessoa tentar usar essa tática com você, um bom primeiro passo é perguntar se ela está sugerindo que a verdade é sempre qualquer coisa que ela acredita que seja. Se a resposta for "sim", você pode explicar, com exemplos, por que ela está errada. Se for "não", então é possível que ela está apenas indicando que discorda de você, o que é obviamente verdade e não enfraquece o que você está dizendo, a sua argumentação.


FonteLaw, Stephen. Guia Ilustrado Zahar: Filosofia. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 2008

Nenhum comentário:

Postar um comentário