domingo, 14 de outubro de 2012

Embriões congelados: espíritos ligados por até 12 Anos


Este é uma outra preciosa colaboração do Álvaro Vannucci aos leitores deste blog. Este artigo, escrito em parceria com Alexandre Fontes da Fonseca, detalha aspectos do tema dos embriões congelados do artigo anterior, Embriões Congelados x Células-Tronco: Um Alerta! Foi publicado originalmente na Revista Internacional de Espiritismo, Ano LXXX, No 3, Matão, Abril de 2005. Pode ser encontrado também no site Espiritualidade e Sociedade.

Alexandre, na ocasião da publicação, era pós-doutorando do Instituto de Física da USP, em São Paulo, membro do conselho editorial do Boletim do GEAE (http://www.geae.inf.br), colaborador do Centro Espírita Allan Kardec, em Campinas, e colaborador do Centro Espírita Irmão Agostinho em Brotas, SP. Alvaro, já apresentado no artigo anterior, é Físico e Professor da Universidade de São Paulo.

O caso do nascimento de gêmeos em Israel a partir de embriões congelados revela: os espíritos que reencarnaram por esse processo permaneceram ligados ao embrião por 12 anos!

Recentemente, a literatura científica registrou um caso de nascimento de bebês a partir de embriões congelados que permaneceram congelados por 12 anos [1]. Neste artigo pretendemos abordar o tema “embriões congelados” e o possível uso de suas desejadas células-tronco, baseando-nos no fato científico acima, lembrando das palavras de Kardec: “Os fatos, eis o verdadeiro critério dos nossos juízos, o argumento sem réplica. Na ausência dos fatos, a dúvida se justifica no homem ponderado.” (Ítem VII da Introdução de O Livro dos Espíritos [2]). Antes desse caso, o maior período de tempo em que um embrião permaneceu congelado - e foi utilizado para o nascimento de um bebê - foi de 7 anos [3].

O processo usualmente empregado é conhecido como criopreservação que consiste no congelamento e preservação de embriões humanos à temperaturas muito baixas (temperatura do nitrogênio líquido: 196 oC NEGATIVOS) [1]. Desde o nascimento do primeiro bebê de proveta em 1978 [4], o processo de fertilização in vitro, isto é, dentro de um tubo de ensaio, se tornou uma forma de tratamento muito comum para o problema de esterilidade. Devido ao fato de que apenas 20% a 30% dos embriões produzidos pela técnica de fecundação in vitro resultam em gravidez, à cada tentativa os médicos inserem vários embriões ao mesmo tempo no útero da mulher. No entanto, devido a fatores de ordem financeira [5] e ao período fértil da mulher [5], um número maior de embriões é produzido por ocasião de uma fertilização in vitro, onde o excedente é destinado à criopreservação para que novas tentativas sejam feitas posteriormente, caso seja necessário ou desejado pelo casal.

Um importante detalhe é que somente no processo de congelamento e descongelamento, 30% dos embriões morrem [5]. Apesar de existirem pesquisas que buscam minimizar esse índice de mortalidade [6], não existe técnica que garanta 100% a sobrevivência de todos os embriões que passam pelo processo de criopreservação.

Diante desse contexto, analisaremos os aspectos doutrinários relacionados ao tema servindo-nos das questões de 344 a 360 de O Livro dos Espíritos [2]. Se um espírito, de fato, se liga ao seu futuro corpo no momento da concepção (questão 344) então, desde a primeira divisão da célula-ovo já temos um ser humano que, mesmo em formação, tem o seu direito à vida resguardado pela Lei (dos homens e de Deus). Por outro lado, se existem corpos para os quais nunca houve um espírito ligado (questão 356), isso significa que alguns embriões não possuem espírito e, portanto, não passam de um amontoado de células. Segundo os espíritos, em resposta à questão 358, “Há crime sempre que transgredis a lei de Deus. Uma mãe, ou quem quer que seja, cometerá crime sempre que tirar a vida a uma criança antes do seu nascimento, por isso que impede uma alma de passar pelas provas a que serviria de instrumento o corpo que se estava formando.” Sabendo disso, como saber se um determinado embrião possui ou não um espírito ligado? A vidência, infelizmente, não se constitui em método seguro para responder essa questão pois essa faculdade depende do estado do médium e pode ser usada por espíritos infelizes para enganá-lo. Diante da preocupação de estarmos cometendo um crime de transgressão à lei de Deus, conforme a resposta à questão 358, os embriões congelados devem ser preservados. Isso, aliás, está escrito nos “Direitos do Embrião” [7] publicado pela Associação Médico Espírita do Brasil, AME-Brasil, na revista da Abrame (Associação Brasileira dos Magistrados Espíritas), cujos ítens 1 e 6 são transcritos a seguir:

1) Os direitos do embrião começam com a fecundação;

2) Como ainda não existem meios para identificar quais os embriões congelados que possuem ligações com Espíritos reencarnantes, todos devem ser preservados;
Por mais que as pesquisas com as células-tronco sejam a esperança de muitas criaturas sofredoras, como recentemente argumentado por Nunes Filho [8], o Espiritismo não sustenta a utilização dos embriões congelados nessas pesquisas, conforme a citação dos Direitos do Embrião [7], e mencionado por outros companheiros espíritas [9].

Temos em Missionários da Luz [10], de André Luiz, um exemplo de descrição (cap. 13) do processo de reencarnação de Segismundo. Segundo André Luiz, “... o elemento (espermatozóide) vitorioso prosseguiu a marcha, depois de atravessar a periferia do óvulo, gastando pouco mais quatro minutos para alcançar o seu núcleo.” Após observar que o instrutor se manteve em serviço de divisão da cromatina, André Luiz relata que ele ajustou a forma previamente reduzida de Segismundo sobre o embrião recém formado observando que “essa vida latente começou a movimentar-se.” A informação que nos interessa é a afirmativa de André Luiz de que “Havia decorrido precisamente um quarto de hora, a contar do instante em que o elemento ativo (espermatozóide) ganhara o núcleo do óvulo passivo.” (Grifos em negrito nossos). Na falta de outras referências, o valor de 15 minutos pode ser tomado como típico no processo de ligação do espírito à célula-ovo.

Nas clínicas e hospitais que trabalham com inseminação artificial, os embriões são congelados quando atingem 2 a 8 dias de idade, quando já se iniciou o processo de divisão celular [4]. Portanto, não há dúvidas de que um embrião formado in vitro, para o qual um espírito foi destinado ou atraído, a ligação entre ambos já existe no momento do congelamento. Sabendo do fato de que uma percentagem significativa de embriões não sobrevive ao processo de congelamento e posterior descongelamento, questionamos o uso do método de criopreservação, sugerindo um novo ítem para os Direitos do Embrião: que ele não seja congelado. Isso implicaria em modificação dos métodos oferecidos para os casais com problemas de fertilização pois o ideal seria que nenhum embrião fosse congelado. Isso certamente encarecerá o processo, mas estamos falando de vidas humanas e de espíritos que por serem nossos irmãos, merecem todo nosso esforço e respeito. Vale aqui, lembrar que existe uma outra alternativa para a obtenção de células-tronco de origem embrionária sem a necessidade de destruir o embrião. Foi ao ar no dia 14 de janeiro de 2005, no programa Globo Reporter, uma reportagem sobre células-tronco em que uma pesquisadora da Universidade Tufts, em Boston, descobriu que os fetos em desenvolvimento no útero de sua mãe fornecem células-tronco quando algum tecido ou órgão materno está lesado [11]. As células-tronco provindas do feto podem ser extraídas da corrente sanguínea da mãe, reproduzidas em laboratório e testadas quanto ao seu potencial terapêutico sem prejuízo algum tanto para mãe quanto para o feto [11]. Essa alternativa evitaria o sacrifício de embriões e as controvérsias em torno do assunto.

Em resposta à questão 345 de O Livro dos Espíritos [2], os espíritos dizem que “(...) Mas, como os laços que ao corpo o prendem são ainda muito fracos, facilmente se rompem e podem romper-se por vontade do Espírito, se este recua diante da prova que escolheu.” Isso significa que nenhum espírito está, a priori, condenado a permanecer ligado a um embrião congelado por tempo indeterminado. Se ele desejar, e tiver condições espirituais, poderá desligar-se do embrião que, então, passará a ser apenas um amontoado de células. Mas esta atitude, que não o isenta da responsabilidade pela decisão tomada, não garante que todos os embriões que são congelados por um período de tempo longo não possuam espíritos ligados. O caso que motivou o título deste artigo é um fato que demonstra isso.

De modo a vermos qual a situação de um espírito ligado por 12 anos a um embrião congelado, recorremos à questão 351 de O Livro dos Espíritos, onde Kardec pergunta se entre a concepção e o nascimento, o espírito goza de todas as suas faculdades. Os espíritos dizem que “Mais ou menos, conforme o ponto, em que se ache, dessa fase, porquanto ainda não está encarnado, mas apenas ligado. A partir do instante da concepção, começa o Espírito a ser tomado de perturbação, que o adverte de que lhe soou o momento de começar nova existência corpórea. Essa perturbação cresce de contínuo até ao nascimento. Nesse intervalo, seu estado é quase idêntico ao de um Espírito encarnado durante o sono. À medida que a hora do nascimento se aproxima, suas idéias se apagam, assim como a lembrança do passado, do qual deixa de ter consciência na condição de homem, logo que entra na vida. Essa lembrança, porém, lhe volta pouco a pouco ao retornar ao estado de Espírito.” (Grifos nossos). Essa resposta deixa claro que o espírito não fica necessariamente dormindo, inconsciente ou inerte durante o intervalo entre a concepção e o nascimento. Dependendo de seu estágio evolutivo, ele pode se deslocar para longe do seu embrião, estudar e trabalhar no Plano Espiritual, da mesma forma como um encarnado durante o sono. Como a fase embrionária é mais próxima do momento da concepção do que do nascimento, a perturbação tende a ser pequena, podendo o espírito gozar de mais liberdade quanto ao uso de suas faculdades.


Referencias
[1] A. Revel, A. Safram, N. Laufer, A. Lewin, B. E. Reubinov, A. Simon, Twin delivery following 12 years of human embryo cryopreservation: Case report, Human Reproduction 19, p. 328, 2004.
[2] A. Kardec, O Livro dos Espíritos, Editora FEB, 76a. Edição, Rio de Janeiro, 1995.
[3] S. Ben-Ozer, M. Vermesh, Full term delivery following cryopreservation of human embryos for 7.5 years, Human Reproduction 14, p. 1650, 1999.
[4] Site da Genetics & IVF, http://www.givf.com/embryov.cfm
[5] J. Toner, Transfer of Frozen Embryos into a Surrogate’s Natural Cycle, artigo do seguinte site:
http:www.surrogacy.com/medres/article/frozvsn.html
[6] L. L. Veeck, R. Bodine, R. N. Clarke, R. Berrios, J. Libraro, R. M. Moschini, N. Zaninovic, Z. Rosenwaks, High pregnancy rates can be achieved after freezing and thawing human blastocysts, Fertility and Sterility 82, p. 1418, 2004.
[7] AME-Brasil, Direitos do Embrião, Revista da Abrame 3, p. 15, 2004.
[8] A. D. Nunes Filho, Células-Tronco e Doutrina Espírita, Revista Internacional de Espiritismo Dezembro, p. 569, 2004.
[9] M. A. Moura, Em dia com o Espiritismo III, Reformador Dezembro, p. 34, 2004.
[10] A. Luiz, Psicografia d F. C. Xavier, Missionários da Luz, Editora FEB, 26ª Edição, 1995.
[11] http://enews.tufts.edu/stories/083004FetalCellsFosterResearch.htm

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