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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

NÃO PODEMOS FAZER UM NOVO COMEÇO, MAS UM NOVO FIM


 Um amigo, que chamarei aqui de Leôncio, contou-me sobre um estranho fenômeno que ocorre eventualmente com ele. Leôncio faz trabalho voluntário com famílias carentes e, num passado próximo, trabalhou também com  moradores de rua. O fenômeno é o seguinte: olhando para a pessoa à sua frente (assistidos com os quais trabalha), visualiza, às vezes com muita clareza, uma imagem dela como teria sido numa existência anterior. 
        Assim, mendigos transformam-se em orgulhosos nobres ou ricos comerciantes, mulheres maltrapilhas em damas altivas e ricamente adornadas. Junto com essas visões, vêm-lhe também, num rápido flash de segundos, uma espécie de filme compacto de aspectos da vida anterior da pessoa em ambientes nos quais teria vivido. De coisas que teria feito e/ou deixado de fazer relacionadas às atuais condições e dificuldades da existência atual.
        Vendo tais coisas, ele compreende muito do porquê do comportamento, expressões e atitudes da pessoa que está assistindo.                                                  
       Conheço Leôncio há muitos anos e o vejo como uma pessoa com "pé no chão", não propenso a devaneios e um pouco "São Tomé" (aquele que precisa ver evidências concretas para crer). Ou seja, não sofre de transtorno mental com surtos delirantes, nem é alguém de mente frágil que se deixe levar facilmente pela imaginação, a ponto de não distinguir realidade de fantasia.
       Por ser espírita, Leôncio aceita com tranquilidade tais visões: não se empolga com elas, nem se assusta. As imagens vem-lhe quando está tranquilo, equilibrado, e trazem com elas um sereno sentimento de verdade.
       Para ele, tais experiências reforçam sua crença na reencarnação e na lei cármica da ação e reação, a qual nos ensina que nossa vida atual, potenciais e tendências (positivas e negativas) são produtos de nossas ações anteriores. E que nossa situação atual não implica num destino fixo, mas dinâmico, pois, como disse Chico Xavier, “embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim".

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

NO REINO DAS BORBOLETAS

     Esta bela fábula é mais uma contribuição da minha amiga Poliana Martins aos leitores deste blog. Faz parte do livro “Contos e Apólogos” (cap. 29), escrito pelo Espírito Irmão X (Humberto de Campos), pela psicografia de Chico Xavier. Veja, também, mais duas ótimas contribuições da Poliana aos leitores deste blog: "Uma Parábola sobre o Céu e o Inferno" e "Pensando Por Si Mesmo!".

     À beira de um charco, formosa borboleta, fulgurando ao crepúsculo, pousou sobre um ninho de larvas e falou para as pequeninas lagartas, atônitas:
     - Não temais! Sou eu... Uma vossa irmã de raça!... Venho para comunicar-vos esperança. Nem sempre permanecereis coladas à erva do pântano! Tende calma, fortaleza, paciência!... Esforçai-vos por sucumbir aos golpes da ventania que, de quando em quando, varre a paisagem. Esperai! Depois do sono que vos aguarda, acordareis com asas de puro arminho, refletindo o esplender solar... Então, não mais vos arrastareis, presas ao solo úmido e triste. Adquirireis preciosa visão da vida! Subireis muito alto e vosso alimento será o néctar das flores... Viajareis deslumbradas, contemplando o mundo, sob novo prisma!... Observareis o sapo que nos persegue, castigado pela serpente que o destrói, e vereis a serpente que fascina o sapo, fustigada pelas armas do homem!...
     Enquanto a mensageira se entregava à ligeira pausa de repouso, ouviam-se exclamações admirativas:
     - Ah! Não posso crer no que vejo!
     - Que misteriosa e bela criatura!...
     - Será uma fada milagrosa?
     - Nada possui de comum conosco...
     Irradiando o suave aroma do jardim em que se demorava, a linda visitante sorriu e continuou:
     - Não vos confieis à incredulidade! Não sou uma fada celeste! Minhas asas são parte integrante da nova forma que a Natureza nos reserva. Ontem vivia convosco; amanhã, vivereis comigo! Equilibrar-vos-eis no imenso espaço, desferindo vôos sublimes à plena luz! Libertadas do chavascal, elevar-vos-eis, felizes! Conhecereis a beleza das copas floridas e o saboroso licor das pétalas perfumadas, a delícia da altura e a largueza do firmamento!...
     Logo após, lançando carinhoso olhar à família alvoroçada, distendeu o corpo colorido e, voltando, graciosa, desapareceu.
     Nisso chega ao ninho a lagarta mais velha do grupo, que andava ausente, e, ouvindo as entusiásticas referências das companheiras mais jovens, ordenou, irritada:
     - Calem-se e escutem! Tudo isso é insensatez... Mentiras, divagações... Fujamos aos sonhos e aos desvarios. Nunca teremos asas. Ninguém deve filosofar... Somos lagartas, nada mais que lagartas. Sejamos práticas, no imediatismo da própria vida. Esqueçam-se de pretensos seres alados que não existem. Desçam do delírio da imaginação para as realidades do ventre! Abandonaremos este lugar, amanhã. Encontrei a horta que procurávamos... Será nossa propriedade. Nossa fortuna está no pé de couve que passaremos a habitar. Devorar-lhe-emos todas as folhas... Precisamos simplesmente comer, porque, depois, será o sono, a morte e o nada... Nada mais...
     Calaram-se as larvas, desencantadas.
     Caiu a noite e, em meio à sombra, a lagarta-chefe adormeceu, sem despertar no outro dia. Estava ela completamente imóvel.
     As irmãs, preocupadas, observavam curiosas o fenômeno e puseram-se na expectativa. Findo algum tempo, com infinito assombro, repararam que a orgulhosa e descrente orientadora se metamorfoseara numa veludosa falena, voejante e leve...
     Anotando a lição breve e simples, creio que há muitos pontos de contacto entre o reino dos homens e o reino das borboletas.


     O que impede uma larva de se transformar em borboleta? A morte ou a doença. E as pessoas, o que as impede atingir um nível superior de consciência e espiritualidade? 
     As doenças da alma não exatamente as impede, mas as atrasa, às vezes por milênios, através das várias encarnações. Tais doenças podem ser resumidas nos chamados 7 vícios capitais pela tradição cristã. São hábitos negativos de se recair freqüentemente na: vaidade/orgulho (soberba), inveja, ira (raiva, ódio), preguiça, avareza, gula, luxúria.
     O que os faz capitais? Para Tomás de Aquino (questionável sob alguns aspectos, mas com importantes contribuições e insights), os mais importantes desses 7 vícios são dois: (1) a hybris, ou soberba, um orgulho desmesurado (embora, tenho visto na clínica, podendo até ser camuflado por uma pretensa humildade); e (2) a acídia, uma autodesvaloriação desequilibrada, na qual a pessoa desacredita de tudo, a começar de si mesma.
     A vacina e o remédio contra esses vícios são conhecidos também pela tradição cristã. Paulo de Tarso sintetiza sublimamente este remédio/vacina num trecho de sua 1a. carta aos coríntios (I Cor 13: 1-13), na qual as frases finais ensinam-nos que: "Por hora, subsistem a fé, a esperança e a caridade - as três. Porém a maior delas é a caridade". 
     Lembrando que caridade é a tradução latina do grego ágape (amor fraternal, altruísta), Paulo de Tarso reforça o remédio prescrito por Jesus - "amarás teu próximo como a ti mesmo", em harmonia com o amor a Deus (Mat 22: 34-40, Mar 12: 28-34 e Luc 10: 25-28) - para as doenças da alma.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Congresso Internacional de Educação e Espiritualidade - 2o. dia

Na 1a palestra - “Evidencias científicas da reencarnação“, o Dr. Jim Tucker, da Universidade da Virgínia, cumpriu o que o título prometia. Abordou as pesquisas que têm sido feitas há quase 50 anos com crianças que se recordam de supostas vidas passadas. Embora as pesquisas do Dr. Ian Stevenson não tenham alcançado a aceitação do establishment científico, conquistou o respeito de alguns cientistas importantes, entre os quais o cético e crítico de misticismos de todo tipo, o astrônomo Carl Sagan, que escreveu:


“Há três questões no campo [da parapsicologia] que, na minha opinião merecem sérios estudos”. A terceira destas questões, ele escreve, é o fato de “que crianças às vezes relatam detalhes de vidas passadas, que, depois de verificados, são constatados exatos e são casos dos quais elas não poderiam ter tido conhecimento de nenhuma outra maneira senão pela reencarnação.” (Sagan, C. The Demon-Haunted World: Science as a Candle in the Dark. New York: Randon House, 1996).


O Dr. Tucker relatou que já foram pesquisadas mais de 2.500 casos de crianças no mundo todo e que estes casos têm características em comum: essas crianças começam a falar sobre suas supostas vidas passadas por volta dos 2 ou 3 anos de idade e geralmente param por volta dos 6 ou 7. Fazem afirmações espontâneas sem uso de hipnose. Descrevem vidas recentes com um intervalo médio de 16 meses entre a sua suposta morte e seu renascimento. As vidas anteriores relatadas são comuns, normalmente no mesmo país. O incomum é a forma como em geral morreram: 70% por causas não naturais.


Casos interessantíssimos e cientificamente bem documentados pelo Dr. Tucker foram relatados, inclusive com fotos e filmes.
Esta palestra foi para mim um excelente fortalecimento da realidade da reencarnação!


A palestra seguinte, da Dra. Antonia Mills, da Universidade da Northern British Columbia - Canadá, foi “Reencarnação e Pedagogia, manifestações e implicações da índia aos povos indígenas do Canadá”. A Dra. Mills começou falando da relação afetiva com o Brasil, pois foi sua vinda aqui, em 1962, em Recife, onde teve contato com tradições indígenas, que despertou seu interesse para o estudo das culturas indígenas. Depois, em 1964, teve contato, pela 1a vez, com a idéia de reencarnação, no contato com os índios Dunezza, no Canadá. Posteriormente trabalhou com o Dr. Stevenson, tendo pesquisado vários casos na índia. Narrou, com fotos, vários casos de recordações, por crianças, de suas vidas passadas e evidências neste sentido.


A 3a palestra foi do Dr. Julio Peres - “Implicações Terapêuticas da Reencarnação”. na qual ele recapitula as pesquisas sobre reencarnação, casos estudados e suas evidências, e as implicações da idéia da reencarnação em confronto com o paradigma materialista predominante na Ciência atual. Descreveu, também, o método criado pela Dra. Júlia Peres - a Terapia Regressiva Vivencial - e alguns resultados obtidos.
A palestra final da manhã foi da Dra. Dora Incontri, “Implicações pedagógicas da reencarnação”. Infelizmente não pude assistir, mas já conhecia relativamente bem suas idéias através de nossas conversas e de seu livro “Pedagogia Espírita, um projeto brasileiro e suas raízes” (Bragança Paulista, SP. Ed. Comenius, 2006). Mas sei que um dos aspectos fundamentais transmitidos, pois está nos Anais do 1o Congresso Internacional de Educação e Espiritualidade e 4o Congresso Brasileiro de Pedagogia Espírita (surpreendentemente para o que conheço de Congressos, saiu junto do próprio, o que atesta o seu excelente planejamento e realização!) foi a idéia de que, com a realidade da reencarnação, “a realização pedagógica se transfigura então: não se trata mais de educar o ser que está se fazendo agora, mas de ajudar uma nova personalidade a se formar, levando em consideração suas personalidades anteriores.”

Atualização de Cultura, por Deolindo Amorim

Este lúcido texto do jornalista, escritor e conferencista espírita brasileiro,   Deolindo Amorim (1906 - 1984), publicado no Anuário Espír...