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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Atenção Plena - parte 1: Introdução


Num artigo publicado no New York Times (Folha de S. Paulo, 24/01/2011), "Os Riscos de Ser Multitarefa na Guerra", Thorm Shanker e Matt Richtel analisam os problemas enfrentados por oficiais da inteligência americana. Esses oficiais ficam conectados on line por horas, recebendo e analisando múltiplas informações simultâneas. O trabalho deles pode ser exemplificado por Josh, um tenente de 25 anos da Força Área dos EUA que "durante 12 horas por dia, (...) monitora uma avalanche de imagens em dez telas" ao mesmo tempo e que fica "com um fone em um ouvido, falando com um piloto no 'hedset no outro ouvido, digitando no 'chat' ao mesmo tempo e olhando as telas".

Dizem os autores do artigo que "os militares têm buscado abordagens inovadoras para ajudar os soldados a se concentrar. Num quartel do Exército em Oahu (Havaí), os pesquisadores empregam o chamado 'treinamento de aptidão mental baseado na atenção plena', para tentar 'reprogramar' a capacidade de foco do indivíduo. O programa consiste em pedir aos soldados que se concentrem em uma parte do seu corpo, como sentir um pé no chão ou a sensação de estar sentado na cadeira, e que então mudem para outro foco, como escutar o zumbido do ar condicionado".


Guardadas as proporções e transpondo isso para contextos civis, isto se parece muito com as atividades de várias pessoas no ambiente profissional. E de muitas mulheres que tentam conciliar (às vezes simultaneamente) tarefas de mãe, dona-de-casa, esposa, profissional, amiga etc.* O que às vezes pode levar a  estresse crônico (e até a um burnout - veja o artigo "Sindrome de Burnout" do Dr. Drauzio Varella), quando tais atividades são acompanhadas de excessiva ansiedade "automatizada". E a atenção plena pode ajudar a pessoa a se reequilibrar, desligando o automatismo da ansiedade crônica.

Veja as 10 breves sequências deste texto: 

Atenção Plena - parte 2: As 3 Mentes;
parte 3: A Mente Racional;
parte 4: A Mente Emocional;
parte 5: Mente Racional x Mente Emocional;
parte 6: A Mente Sábia;
parte 7: Mais sobre a Mente Sábia;
parte 8: Buscando Contato com a Mente Sábia;
parte 9: O Sentimento de Coerência Interna;
parte 10: Mente emocional e mente sábia - como saber a diferença.
___________________
* Fonte da foto: "A ciência comprova que mulheres são capazes de fazer várias coisas ao mesmo tempo", em http://hypescience.com/a-ciencia-comprova-que-mulheres-sao-melhores-em-fazer-varias-tarefas-ao-mesmo-tempo/

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Meditação, Evolução Emocional e Espiritual - parte 2

Meu contato com a meditação da atenção plena começou muitos anos atrás, quando li o clássico Introdução ao Zen Budismo, de D. T. Suzuki, com prefácio do C. G. Jung, e experimentei praticar o zazen, como é chamada a meditação zen budista. Foi uma experiência interessante, mas não estava ainda pronto para uma prática sistemática. 

Nos últimos anos, tenho lidado algumas vezes, na minha atuação em Psicologia Clínica, com pacientes fronteiriços (borderlines), pessoas emocionalmente muito intensas, com dificuldade de administrar emoções, principalmente a raiva. No tratamento desses pacientes, senti necessidade de técnicas mais adequadas e eficazes para lidar com este transtorno de personalidade. Buscando alternativas, deparei-me com os livros da Marsha Linehan (foto acima), uma das grandes autoridades mundiais no tratamento deste transtorno: "Terapia cognitivo-comportamental para transtorno da personalidade borderline: guia do terapeuta" e "Vencendo o transtorno de personalidade borderline com a terapia cognitivo-comportamental: manual do paciente" (ambos da Artmed, 2010).

A abordagem de Linehan para o tratamento do transtorno de personalidade borderline (TPB) é por meio da ação de uma equipe multidisciplinar, que reconheço ser o mais eficaz para este tipo de transtorno. Porém, uma das bases do tratamento que propõe é o treinamento dos pacientes em técnicas de atenção plena, cujo fundamento é a meditação budista clássica.

Percebi que as técnicas de atenção plena desenvolvidas por Linehan para o treinamento da regulação emocional e do estresse eram úteis não apenas como tratamento complementar para pacientes com TPB, mas para vários outros transtornos. Os resultados preliminares que obtive sugeriram-me que mesmo pessoas sem queixa de transtornos poderiam se beneficiar com tais técnicas, inclusive eu mesmo. E comecei a praticá-las. 

À medida que praticava e orientava meus pacientes neste sentido, senti a necessidade de conhecer diretamente a meditação budista de atenção plena. Foi quando comecei a frequentar as atividades de zazen para principiantes, da Comunidade Zen Budista, liderada pela Monja Coen Sensei. Sua simpatia e simplicidade cativou-me, bem como a acolhida simpática da equipe de monges. Descobri, também, que a Monja Coen e eu somos parentes, pois o sobrenome de solteira de sua mãe é Leonel, e todos com este sobrenome pertencem a uma mesma grande e antiga família brasileira.

Veja, também, Meditação, Evolução Emocional e Espiritual - parte 1 -  e parte 3.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Meditação, Evolução Emocional e Espiritual - parte 1


No final do capítulo 5 do livro "Nos Domínios da Mediunidade", psicografado por Franciso Cândido  Xavier, o aprendiz no mundo espiritual, Hilário, surpreso diante das explicações do Assistente Aulus a respeito da assimilação, pelos encarnados, das "correntes mentais" emitidas por desencarnados, diz:

"— Não será, porém, tão fácil estabelecer a diferença entre a criação mental que nos pertence daquela que se nos incorpora à cabeça... — pon­derou meu colega intrigado.
— Sua afirmativa carece de base — exclamou o Assistente. — Qualquer pessoa que saiba mane­jar a própria atenção observará a mudança, de vez que o nosso pensamento vibra em certo grau de freqüência, a concretizar-se em nossa maneira es­pecial de expressão, no círculo dos hábitos e dos pontos de vista, dos modos e do estilo que nos são peculiares.
E, bem-humorado, comentou:
       — Em assuntos dessa ordem, é imprescindível muito cuidado no julgar, porque, enquanto afina­mos o critério pela craveira terrena, possuímos uma vida mental quase sempre parasitária, de vez que ocultamos a onda de pensamento que nos é própria, para refletir e agir com os preconceitos consagrados ou com a pragmática dos costumes preestabelecidos, que são cristalizações mentais no tempo, ou com as modas do dia e as opiniões dos afeiçoados que constituem fácil acomodação com o menor esforço. Basta, no entanto, nos afeiçoe­mos aos exercícios da meditação, ao estudo edifi­cante e ao hábito de discernir para compreender­mos onde se nos situa a faixa de pensamento, identificando com nitidez as correntes espirituais que passamos a assimilar."

Destaquei com negrito a palavra "meditação" nesta citação, porque esse é o tema da série de postagens que se inicia hoje. No trecho acima, Aulus enfatiza a necessidade de exercícios de meditação (além do estudo edificante e do hábito de discernir por si mesmo) para "compreender­mos onde se nos situa a faixa de pensamento, identificando com nitidez as correntes espirituais que passamos a assimilar." Ou seja, para retomarmos contato conosco mesmos, com nosso self ou espírito, distinguindo o que é nosso e o que não é, o que facilita nosso desenvolvimento emocional e espiritual. 

Nas próximas postagens, descreverei um pouco sobre benefícios da meditação budista de Atenção Plena (mindfulness em inglês). Como introdução a este tipo de meditação, mostro abaixo um breve   vídeo da BBC com uma reportagem sobre os resultados desta prática na mudança de padrões cerebrais facilitando o controle do estresse:



Veja, também: Meditação, Evolução Emocional e Espiritual - parte 2 e parte 3.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

10 Atitudes para Criar Filhos Mais Felizes - 2a. atitude: Administração do Estresse

"2. Administração do estresse. Praticar técnicas de relaxamento e esportes e investir na própria psicoterapia favorece a capacidade de entender melhor o que sentimos e as chances de cuidar bem de crianças."


Técnicas de relaxamento/meditação e esportes: fundamentais para tornar os pais e mães menos estressados e, portanto, melhores pais e mães! Camila Ferreira-Vorkapic, pesquisadora do Instituto de Psicologia da UFRJ, escreveu artigos na revista Mente Cérebro números 214 e 170, respectivamente sobre os benefícios da meditação e dos exercícios físicos.


No seu artigo "Meditação para Combater a Ansiedade", a autora informa que esta prática "(...) tem ensinado muitas pessoas a prestar atenção às emoções e ao próprio corpo e a lidar de forma mais saudável com o estresse; estudos mostram sua eficácia no controle de patologias como depressão, pânico e ansiedade". Comenta sobre os dois tipos de meditação que tem sido mais analisados: a "concentração" (basicamente a "meditação transcendental", popularizada pelos Beatles, e técnicas de relaxamento) e a "mindfulness", que tem sido traduzida como "atenção plena". 


Em razão de "sua abordagem bem definida, sistemática e centrada no paciente", a "atenção plena" tem sido cada vez mais utilizada em pesquisas e nas clínicas psicológica e psiquiátrica. Neste tipo de meditação, "o praticante exercita a 'observação desapegada': inicialmente focaliza a atenção na própria respiração até que esteja estabilizada. Deste ponto em diante, a pessoa é capaz de observar quaisquer eventos físicos ou mentais que possam surgir no campo da consciência. Estes eventos mudam de um momento para o outro e são observados com curiosidade - e nunca julgados ou avaliados. Essa maneira de estar presente e perceber o ambiente e a si mesmo ajuda o indivíduo a lidar com estresse, dor e doenças."


No artigo "Cérebro em Forma", Camila Ferreira-Vorkapic escreve que "os efeitos do exercício físico para a saúde têm sido amplamente estudados e reconhecidos. São fartamente documentadas alterações fisiológicas em pessoas que praticam atividades físicas com regularidade - como redução do nível de glicose no sangue, metabolização mais eficaz de gorduras, diminuição da pressão arterial e da frequência cardíaca de repouso. É notório também quanto a prática contribui para a diminuição da incidência de patologias como diabetes, infarto e acidente vascular cerebral. Décadas de estudos evidenciaram que o exercício físico tem também inegáveis efeitos ansiolíticos e antidepressivos, isto é, a prática de atividade física está significativamente relacionada á diminuição da ansiedade, depressão, estresse e ao aumento da autoestima."


Também "há fortes indícios de que o exercício físico favorece o aprimoramento da função cognitiva em razão da melhora na eficiência neuronal que, por sua vez, é possivelmente produto de um maior afluxo de sangue no cérebro - o que intensifica a atividade cerebral".


A estes artigos sobre meditação e atividades físicas esportivas somam-se inúmeros outros relatando pesquisas e casos clínicos que apontam no mesmo sentido.


É claro que estas diretrizes para os pais valem também para os filhos. Estimular neles o gosto pelo esporte sadio pode ajudá-los não apenas a se desenvolverem melhor fisicamente, mas também a fortalecerem a autodisciplina e a autoestima. 


Mesmo a meditação é algo que os filhos podem e devem aprender desde pequenos, por várias maneiras. A oração sincera - a conversa com Deus, com os Espíritos Superiores, com Jesus - é uma forma de meditação, que ajuda a criança ou o adolescente a concentrar e elevar seus pensamentos e sentimentos. Assim como o contato com a Natureza e consigo mesmos, aprendendo a identificar e equilibrar suas emoções e pensamentos. Isto é cada vez mais necessário para as crianças e adolescentes de hoje, cada vez mais dispersas em razão dos jogos de computador, celulares, facebook, msn, orkut etc. Contudo, os pais só poderão ensinar seus filhos a fazerem isto se souberem eles mesmos fazer. E se praticarem. Como disse Aurélio Agostinho de Hipona (Sto. Agostinho), "a palavra convence, mas o exemplo arrasta". E este é um princípio fundamental na educação de filhos.


Às vezes, além das atividades esportivas e da meditação, é necessário algo mais: a psicoterapia. Certa vez, um jovem executivo procurou-me dizendo que queria se submeter à psicoterapia para se tornar uma pessoa melhor e, assim, um pai melhor para a sua primeira filha que estava para nascer.


Ajudando uma pessoa a resolver seus conflitos emocionais, a superar seus bloqueios e medos, a melhorar sua autoestima e autoconfiança, sua competência emocional e interpessoal, a psicoterapia pode ajudá-la a se tornar um melhor pai ou mãe. E as "ferramentas cognitivas" que aprenderá a ajudarão não apenas a solucionar futuros problemas emocionais, após a conclusão do processo psicoterápico, mas também a ajudar seus filhos a as aprender e utilizar, à medida que crescerem.


O cartoon acima lembra-nos que o humor, aprender a rir de si mesmo, é uma forma eficaz de terapia e um bom indício de saúde mental.


Veja, também, as postagens Saúde e Felicidade - Parte 1 e Parte 2.

Atualização de Cultura, por Deolindo Amorim

Este lúcido texto do jornalista, escritor e conferencista espírita brasileiro,   Deolindo Amorim (1906 - 1984), publicado no Anuário Espír...