Por vezes, tendemos ver as coisas de modo dicotômico, isto é, separando as coisas em opostos inconciliáveis: bons versus maus, os que acreditam em Deus versus os ateus, sendo que algumas vezes identificamos os que acreditam com os bons e os ateus com os maus. Tal maneira de encarar as coisas denota pouca maturidade emocional e espiritual. A realidade nunca é tão simples. Ninguém é absolutamente mal, nem absolutamente bom, no nosso nível evolutivo. Alguns ateus podem ser melhores do que algumas pessoas que dizem acreditar em Deus.
Algumas pessoas que dizem acreditar em Deus, quando as coisas parecem ficar muito ruins, "esquecem" sua crença e se desesperam (falo também por experiência própria, pela fragilidade de fé que mostrei no passado e que acredito ter superado, fundamentando minha fé muito mais fundo em meu espírito), revoltam-se, assim renegando, na prática, a sua crença. Por outro lado, alguns são ateus porque a sua concepção de Deus que aprenderam/desenvolveram é de um deus vingativo e injusto. Num deus deste tipo eu também não acredito. Conhecendo melhor alguns desses "ateus", percebe-se, entretanto, que são profundamente espiritualizados, valorizando a vida e o conhecimento do Universo, como forma de crescimento e evolução.
Embora se declarem ateus ou agnósticos, a vida e prática deles apontam para uma profunda crença num Deus imanente de uma Perfeição nada simples e que parece, à primeira vista, Sua própria negação, como eles parecem acreditar e muitos de seus seguidores e críticos.
Um desses "ateus" parece-me ser Richard Dawkins, um dos mais aguerridos críticos das religiões e da crença em Deus. Seu livro "O Maior Espetáculo da Terra: as evidências da evolução" (tradução de Laura Teixeira Motta. - São Paulo: Companhia das Letras, 2009) é, para mim, um hino de celebração da Vida e de Deus. Esta minha afirmação possivelmente será enfática e até agressivamente criticada por muitos dos partidários das suas idéias, e talvez pelo próprio Dawkins (se a lesse), mas também por muitos de seus maiores críticos. Talvez uma das críticas mais suaves que me façam seja a de ingênuo. Tudo bem...
Um agnóstico brasileiro, Marcelo Gleiser (alguns talvez o vejam como ateu, mas o percebo agnóstico, ou seja, aquele que tem dúvida sobre a existência de Deus, não O negando, nem O afirmando em termos absolutos), também considero praticar em seus livros e artigos uma crença num Universo que é, para mim, indistinguível de um Deus imanente de profunda Harmonia. No seu livro, "Criação Imperfeita: Cosmo, Vida e o Código Oculto da Natureza" (título algo pretencioso... rs...), expressa a visão de um Deus de suprema Harmonia. Não uma Harmonia simples, de uma simetria óbvia, ou de fácil acesso intelectual, mas uma Harmonia que demanda, para ser percebida, uma abertura de espírito que vai além da razão habitual e implica numa síntese desta com a sensibilidade. Não sei até que ponto ele mesmo percebe isto conscientemente, ou apenas a "imperfeição" da Natureza. Pode ser que, também neste caso, esta minha visão seja criticada por "gregos" e "troianos". Tudo bem...
Um outro célebre e autodeclarado agnóstico, Bertrand Russell, vai mais longe. Celebra a busca do conhecimento, mas principalmente de um amor espiritual (embasarei esta afirmação na 2a. parte desta postagem).
Embora se declarem ateus ou agnósticos, a vida e prática deles apontam para uma profunda crença num Deus imanente de uma Perfeição nada simples e que parece, à primeira vista, Sua própria negação, como eles parecem acreditar e muitos de seus seguidores e críticos.
Um desses "ateus" parece-me ser Richard Dawkins, um dos mais aguerridos críticos das religiões e da crença em Deus. Seu livro "O Maior Espetáculo da Terra: as evidências da evolução" (tradução de Laura Teixeira Motta. - São Paulo: Companhia das Letras, 2009) é, para mim, um hino de celebração da Vida e de Deus. Esta minha afirmação possivelmente será enfática e até agressivamente criticada por muitos dos partidários das suas idéias, e talvez pelo próprio Dawkins (se a lesse), mas também por muitos de seus maiores críticos. Talvez uma das críticas mais suaves que me façam seja a de ingênuo. Tudo bem...
Um agnóstico brasileiro, Marcelo Gleiser (alguns talvez o vejam como ateu, mas o percebo agnóstico, ou seja, aquele que tem dúvida sobre a existência de Deus, não O negando, nem O afirmando em termos absolutos), também considero praticar em seus livros e artigos uma crença num Universo que é, para mim, indistinguível de um Deus imanente de profunda Harmonia. No seu livro, "Criação Imperfeita: Cosmo, Vida e o Código Oculto da Natureza" (título algo pretencioso... rs...), expressa a visão de um Deus de suprema Harmonia. Não uma Harmonia simples, de uma simetria óbvia, ou de fácil acesso intelectual, mas uma Harmonia que demanda, para ser percebida, uma abertura de espírito que vai além da razão habitual e implica numa síntese desta com a sensibilidade. Não sei até que ponto ele mesmo percebe isto conscientemente, ou apenas a "imperfeição" da Natureza. Pode ser que, também neste caso, esta minha visão seja criticada por "gregos" e "troianos". Tudo bem...
Um outro célebre e autodeclarado agnóstico, Bertrand Russell, vai mais longe. Celebra a busca do conhecimento, mas principalmente de um amor espiritual (embasarei esta afirmação na 2a. parte desta postagem).
Lendo seu texto, "No que acredito", escrito em 1925 (tradução de André de Godoy Vieira. - Porto Alegre, RS: L&PM, 2011), discordo de algumas de suas afirmações e percebo outras como datadas, isto é, válidas para os conhecimentos da época, mas atualmente obsoletas. Vejo, porém, que várias das suas crenças básicas expressam alguns dos melhores ensinamentos das grandes religiões e são completamente compatíveis com importantes ensinamentos espíritas.


