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terça-feira, 19 de abril de 2011

Construindo a Paciência


“Tenha, porém, a paciência a sua obra perfeita, para que sejais perfeitos e completos, sem faltar em coisa alguma.” (Tiago 1:4*).
Nessa frase, o apóstolo Tiago** está nos ensinando sobre a importância da paciência para nossa evolução. É isto que ele quer dizer ao escrever sobre construir a “obra perfeita”, para que sejamos “perfeitos e completos”. Nossa obra, aqui na Terra, é evoluirmos, tornando-nos cada vez melhores, aprendendo com os nossos erros e acertos, contribuindo para os nossos próximos e para nós mesmos... E, para isto, a paciência é fundamental!...
Como toda obra sólida, a paciência não é construída de uma só vez. Nós a construímos com os pequenos tijolos das nossas ações do dia-a-dia. Quando “nos pisam no calo” e conseguimos nos manter calmos, deixando de reagir com impaciência e agressividade, estamos construindo nossa paciência. Quando nos dão “uma fechada” no trânsito, e nos abstemos de xingar ou correr atrás para devolver na mesma moeda, estamos construindo a nossa paciência. Quando furam uma fila onde aguardamos há longos minutos, e mantemos a calma, argumentando com tranqüilidade, quando for o caso, estamos construindo nossa paciência.
Quando nos criticam injustamente ou nos provocam, e conseguimos fazer o que Tiago recomenda na mesma epístola (Tg 1:19) – que estejamos prontos para ouvir, mas tardos para falar e nos encolerizar –, nesses momentos, também estamos construindo nossa paciência.
Se os pequenos atos cotidianos de paciência são os tijolos para nossa obra, qual é o seu alicerce? O alicerce, a base sobre a qual construímos em nós uma sólida paciência é constituída de dois fundamentos: a fé e a esperança!
A fé em Deus, a convicção de que somos Seus filhos, de que o Pai Celeste nos ama infinitamente, que tudo o que nos acontece vem para o nosso bem e que, por isto, de tudo podemos tirar uma lição para evoluirmos!
E a esperança, a certeza de que tudo tende a melhorar, e da mesma forma que o sol nasce a cada manhã, novas oportunidades de vida surgirão, pois tudo se renova no Universo de Deus!
Com estes dois fundamentos, a fé e a esperança, temos um alicerce sólido sobre o qual podemos construir nossa obra de paz interior.
O apóstolo Paulo de Tarso nos incentiva, quando escreve, na sua carta aos Gálatas (Ga 6:9*): “Não nos desanimemos de fazer o bem, pois, a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos”. Isto é, se não pararmos no meio do caminho, colheremos os frutos!
Ter paciência não é simplesmente aguardar que as coisas aconteçam, mas trabalhar para que aconteçam e, com paciência, esperar que os frutos apareçam e fiquem maduros para colhermos. Quem tem paciência, persevera, persiste! Não desanima. O desânimo é uma forma de impaciência. Quando desanimamos, estamos perdendo a esperança em Deus, a fé na Sua Bondade, no Seu Amor por cada um de nós. Recuperarmos esta esperança e esta fé é condição importante para recuperarmos nossa própria vida!
Um caso vivido por nosso querido Chico Xavier, contado por Ramiro Gama, no seu livro “Lindos Casos de Chico Xavier”, ensina-nos uma boa providência que podemos usar para desenvolvermos a paciência no dia-a-dia. Chama-se “A Água da Paz”. Passa-se na época em que o jovem Chico morava ainda em Pedro Leopoldo, pequena cidade de Minas Gerais, e realizava reuniões mediúnicas semanais no pequeno e modesto centro espírita que havia fundado com amigos:
 “Em torno da mediunidade, improvisam-se, ao redor do Chico, acesas discussões.
É, não é. Viu, não viu. E o médium sofria, por vezes, longas irritações, a fim de explicar sem ser compreendido. Por isso, à hora da prece, achava-se, quase sempre, desanimado e aflito.
Certa feita, o Espírito de Dona Maria João de Deus compareceu e aconselhou-lhe:
— Meu filho, para curar essas inquietações você deve usar a Água da Paz.
O Médium, satisfeito, procurou o medicamento em todas as farmácias de Pedro Leopoldo. Não o encontrou. Recorreu a Belo Horizonte. Nada. Ao fim de duas semanas, comunicou à progenitora desencarnada o fracasso da busca.
Dona Maria sorriu e informou:
— Não precisa viajar em semelhante procura. Você poderá obter o remédio em casa mesmo. A Água da Paz pode ser a água do pote. Quando alguém lhe trouxer provocações com a palavra, beba um pouco de água pura e conserve-a na boca. Não a lance fora, nem a engula. Enquanto perdurar a tentação de responder, guarde a água da paz, banhando a língua.”
Nós também, no nosso cotidiano, podemos usar a água da paz! Esta água, a que se referiu dona Maria João de Deus, não precisa ser uma água tangível, isto é, uma água que podemos tocar com as mãos, mas uma água intangível que podemos criar com a nossa imaginação, com o nosso pensamento.
No dia-a-dia, diante de empurrões, pressões, dores físicas, injustiças, provocações, trânsito complicado, e várias outras coisas que tendem a nos fazer perder a paciência, usemos a água da paz. Nesses momentos, imaginemos que estamos tomando um gole de água pura, a água da paz. E, com nossa imaginação, sintamos esta água pacificadora banhando nossa língua, acalmando-nos. E só a engulamos quando estivermos mais tranqüilos...
Fazendo isto regularmente, estaremos construindo nossa paciência!

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* Estou usando, para estas citações, a tradução para o português feita por João Ferreira de Almeida (BÍBLIA SAGRADA. Edição revista e corrigida – 77ª impressão, Rio de Janeiro, RJ: Imprensa Bíblica Brasileira, 1993).
** Não há consenso entre os historiadores sobre qual Tiago seria o autor desta epístola. Os candidatos mais prováveis são dois. Um deles, Tiago, conhecido também como Tiago Maior (em estatura física), filho de Zebedeu e irmão do apóstolo João (Mt 10:2), foi um dos doze apóstolos escolhidos por Jesus e morto em 44 dC por ordem de Herodes Antipa I (At 12:2).
O outro é Tiago, filho de Alfeu, também um dos doze apóstolos (Mt 10:3), chamado de "Tiago Menor" (em estatura) (Mc 15:40) e também conhecido por Tiago, o Justo, por sua retidão e religiosidade (vide, nesse sentido, “Paulo e Estêvão”, ditado pelo espírito Emmanuel e escrito pela psicografia de Francisco Cândido Xavier). A maioria dos historiadores modernos inclina-se por ser este o autor da epístola.

terça-feira, 8 de março de 2011

Brilhe Vossa Luz!


       “Brilhe vossa luz diante dos homens” (Mt 5, 16).

       Quando, em termos mundanos, fala-se de brilhar, normalmente isto significa sobrepujar outras pessoas em competições, derrotar adversários de maneira “brilhante”, muitas vezes os humilhando. Não é deste “brilho” que fala Jesus. Entendo que a luz a que Jesus se refere não é a luz que humilha, mas a que orienta, não é uma luz que “gela” com esnobação o adversário, mas a que aquece com amor. 

       Esta luz é resultante de um árduo trabalho interno, semelhante à criação de um diamante, inicialmente um pedaço de carvão que, submetido a fortíssimas pressões e temperaturas, transforma-se em diamante bruto (nosso potencial interno). Mas, este diamante, para brilhar, ainda precisa da lapidação, do contato com outros diamantes (pois só um diamante lapida outro), para se tornar um brilhante. Ou seja, nosso potencial interno de contribuição aumentará gradativamente o brilho da luz de que fala Jesus, à medida em que praticarmos a convivência harmoniosa e produtiva com os nossos próximos (sermos parte da solução, não do problema), submetermo-nos à lapidação do “bom combate”, do qual falava Paulo de Tarso.

Nosso Aprendizado no Mundo


       Qual a finalidade do nosso aprendizado no mundo? Pensando profundamente na questão, concluo que é melhorar, tornarmo-nos uma pessoa do Bem. Talvez uma das melhores definições do que significa uma pessoa do Bem possa ser dada parafraseando-se um trecho no qual Paulo de Tarso escreve sobre a caridade, na sua 1a carta aos Coríntios (I Coríntios 13, 4-7), substituindo-se “caridade” por “pessoa do Bem”, com alguns comentários adicionais entre parênteses:
       “A pessoa do Bem é paciente, é bondosa. Não tem inveja (o invejoso não acredita em si mesmo, nem na justiça divina). A pessoa do Bem não é orgulhosa. Não é arrogante (a arrogância esconde o medo de ser sobrepujado, de fato uma desconfiança de seu próprio poder pessoal e, ao contrário do que parece à 1a vista, mascara uma fraqueza, não a força que aparenta). Nem escandalosa. Não busca (em 1o lugar) os seus próprios interesses, não se irrita (e, se isto ocorrer, pois é humano, volta rapidamente ao seu equilíbrio), não guarda rancor. Não se alegra com a injustiça (mesmo que a favoreça), mas se rejubila com a verdade. Tudo desculpa (ou seja, perdoa, não fica guardando ressentimentos), tudo crê (pois tem uma fé firme e esclarecida, uma crença profunda na natureza divina, porque essencialmente bondosa), tudo espera (tem a esperança, o otimismo de quem sabe que tudo o que nos acontece é para o nosso bem, para a nossa evolução, pois Deus é Bondade Infinita), tudo suporta (por sua fé, por sua esperança e por seu amor a Deus, a si mesmo e ao seu próximo).
       Parece  uma meta muito alta para nós, pessoas comuns. E é! Imposssível, talvez, para nós, seres comuns, a atingirmos numa única encarnação. Mas faz sentido como meta maior a ser alcançada ao longo de encarnações... Muita luz!

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

NO REINO DAS BORBOLETAS

     Esta bela fábula é mais uma contribuição da minha amiga Poliana Martins aos leitores deste blog. Faz parte do livro “Contos e Apólogos” (cap. 29), escrito pelo Espírito Irmão X (Humberto de Campos), pela psicografia de Chico Xavier. Veja, também, mais duas ótimas contribuições da Poliana aos leitores deste blog: "Uma Parábola sobre o Céu e o Inferno" e "Pensando Por Si Mesmo!".

     À beira de um charco, formosa borboleta, fulgurando ao crepúsculo, pousou sobre um ninho de larvas e falou para as pequeninas lagartas, atônitas:
     - Não temais! Sou eu... Uma vossa irmã de raça!... Venho para comunicar-vos esperança. Nem sempre permanecereis coladas à erva do pântano! Tende calma, fortaleza, paciência!... Esforçai-vos por sucumbir aos golpes da ventania que, de quando em quando, varre a paisagem. Esperai! Depois do sono que vos aguarda, acordareis com asas de puro arminho, refletindo o esplender solar... Então, não mais vos arrastareis, presas ao solo úmido e triste. Adquirireis preciosa visão da vida! Subireis muito alto e vosso alimento será o néctar das flores... Viajareis deslumbradas, contemplando o mundo, sob novo prisma!... Observareis o sapo que nos persegue, castigado pela serpente que o destrói, e vereis a serpente que fascina o sapo, fustigada pelas armas do homem!...
     Enquanto a mensageira se entregava à ligeira pausa de repouso, ouviam-se exclamações admirativas:
     - Ah! Não posso crer no que vejo!
     - Que misteriosa e bela criatura!...
     - Será uma fada milagrosa?
     - Nada possui de comum conosco...
     Irradiando o suave aroma do jardim em que se demorava, a linda visitante sorriu e continuou:
     - Não vos confieis à incredulidade! Não sou uma fada celeste! Minhas asas são parte integrante da nova forma que a Natureza nos reserva. Ontem vivia convosco; amanhã, vivereis comigo! Equilibrar-vos-eis no imenso espaço, desferindo vôos sublimes à plena luz! Libertadas do chavascal, elevar-vos-eis, felizes! Conhecereis a beleza das copas floridas e o saboroso licor das pétalas perfumadas, a delícia da altura e a largueza do firmamento!...
     Logo após, lançando carinhoso olhar à família alvoroçada, distendeu o corpo colorido e, voltando, graciosa, desapareceu.
     Nisso chega ao ninho a lagarta mais velha do grupo, que andava ausente, e, ouvindo as entusiásticas referências das companheiras mais jovens, ordenou, irritada:
     - Calem-se e escutem! Tudo isso é insensatez... Mentiras, divagações... Fujamos aos sonhos e aos desvarios. Nunca teremos asas. Ninguém deve filosofar... Somos lagartas, nada mais que lagartas. Sejamos práticas, no imediatismo da própria vida. Esqueçam-se de pretensos seres alados que não existem. Desçam do delírio da imaginação para as realidades do ventre! Abandonaremos este lugar, amanhã. Encontrei a horta que procurávamos... Será nossa propriedade. Nossa fortuna está no pé de couve que passaremos a habitar. Devorar-lhe-emos todas as folhas... Precisamos simplesmente comer, porque, depois, será o sono, a morte e o nada... Nada mais...
     Calaram-se as larvas, desencantadas.
     Caiu a noite e, em meio à sombra, a lagarta-chefe adormeceu, sem despertar no outro dia. Estava ela completamente imóvel.
     As irmãs, preocupadas, observavam curiosas o fenômeno e puseram-se na expectativa. Findo algum tempo, com infinito assombro, repararam que a orgulhosa e descrente orientadora se metamorfoseara numa veludosa falena, voejante e leve...
     Anotando a lição breve e simples, creio que há muitos pontos de contacto entre o reino dos homens e o reino das borboletas.


     O que impede uma larva de se transformar em borboleta? A morte ou a doença. E as pessoas, o que as impede atingir um nível superior de consciência e espiritualidade? 
     As doenças da alma não exatamente as impede, mas as atrasa, às vezes por milênios, através das várias encarnações. Tais doenças podem ser resumidas nos chamados 7 vícios capitais pela tradição cristã. São hábitos negativos de se recair freqüentemente na: vaidade/orgulho (soberba), inveja, ira (raiva, ódio), preguiça, avareza, gula, luxúria.
     O que os faz capitais? Para Tomás de Aquino (questionável sob alguns aspectos, mas com importantes contribuições e insights), os mais importantes desses 7 vícios são dois: (1) a hybris, ou soberba, um orgulho desmesurado (embora, tenho visto na clínica, podendo até ser camuflado por uma pretensa humildade); e (2) a acídia, uma autodesvaloriação desequilibrada, na qual a pessoa desacredita de tudo, a começar de si mesma.
     A vacina e o remédio contra esses vícios são conhecidos também pela tradição cristã. Paulo de Tarso sintetiza sublimamente este remédio/vacina num trecho de sua 1a. carta aos coríntios (I Cor 13: 1-13), na qual as frases finais ensinam-nos que: "Por hora, subsistem a fé, a esperança e a caridade - as três. Porém a maior delas é a caridade". 
     Lembrando que caridade é a tradução latina do grego ágape (amor fraternal, altruísta), Paulo de Tarso reforça o remédio prescrito por Jesus - "amarás teu próximo como a ti mesmo", em harmonia com o amor a Deus (Mat 22: 34-40, Mar 12: 28-34 e Luc 10: 25-28) - para as doenças da alma.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

COMO VIVER E SENTIR O CRISTO

Khristós (Cristo em português) que significa ungido (untado em óleo - parte importante do ritual de escolha e consagração dos reis judeus) - é a palavra grega usada, desde a Antiguidade, para traduzir o termo hebraico Māšîaḥ (traduzido em português por Messias). É o título dado a Jesus. Contudo, prefiro usar o nome Jesus que ajuda a me aproximar mais do amado Mestre, pois o título Cristo tem, para mim, uma conotação muito formal.
Acho que devemos sentir Jesus vivenciando seus ensinamentos na prática do dia-a-dia, e procurando senti-lo junto de nossa alma nos momentos tristes e alegres de nossa vida.
Jesus sintetiza seus ensinamentos nos dois maiores mandamentos (Mt 22:34-40):
“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo teu espírito. Este é o maior e o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás teu próximo como a ti mesmo. Nestes dois mandamentos se resumem toda a Lei e os Profetas.”

Amar a Deus, Jesus nos ensina, traduz-se por amar ao próximo como a nós mesmos (“E o segundo, semelhante a este...”). Analisando este mandamento, percebe-se que Jesus exorta-nos não a amarmos ao próximo mais do que a nós mesmos, nem menos, mas igualmente. Ocorre-me a analogia da balança: se estiver pendendo muito para nós, poderemos estar sendo egoístas demais, pouco sensíveis aos nossos próximos. Caso esteja pendendo demais para o próximo, poderemos estar nos alienando de nós mesmos.

A alienação em relação a si mesmo pode, em casos extremos, significar um transtorno de personalidade. Por exemplo, no Transtorno de Personalidade Dependente (F60.7 da CID-10), a pessoa se aliena tanto de si mesma que tem muita dificuldade em tomar decisões pessoais sozinha, subordinando suas necessidades às das pessoas que a cercam, tendo grande dificuldade em dizer não às demandas de outras pessoas, mesmo quando abusivas. E este não é um transtorno raro, principalmente entre as mulheres.

Mas, como ficam os verdadeiros mártires e heróis que se sacrificam pelo próximo, por vezes dando até sua própria vida? As pessoas que realizam tais atos, quando realmente conscientes e maduras, parecem ter alcançado um patamar superior de espiritualidade, superando a si mesmos (“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá sua vida por seus amigos” - Jo 15:13). Mas são poucos. Muitos dos “mártires” e “heróis” parecem cometer seus atos por desespero, fantasiando que, com isto, alcançarão um ilusório “céu”.

Outras pessoas se sacrificam diariamente por seus filhos e/ou demais familiares. Quando este sacrifício é maduro, consciente, não alienado, a pessoa normalmente não se queixa, encarando estoicamente as dores e problemas decorrentes. Ao contrário, as pessoas que se dizem sacrificar, mas estão fazendo isto de maneira imatura, pouco consciente, reclamam disto constantemente, porém não conseguem se libertar daquilo que, para elas, é servidão. Este não é, a meu ver, o amor pregado por Jesus. Elas parecem não amar adequadamente a si, nem a estes próximos aos quais se “sacrificam”.

O amor da pessoa que ama maduramente é alegre, não choramingão; corajoso, mas não inconseqüente. Tal pessoa ouve realmente os problemas do próximo e o ajuda, não tentando se livrar o mais rapidamente possível de os ouvir, como é o caso de muitos que, diante de um problema apresentado por alguém, buscam rápido sacar um conselho “otimista”, antes de entender de fato qual é o problema e sem realmente acolher este próximo. A pessoa que ama maduramente acolhe realmente o próximo, mas de maneira equilibrada, sem se afundar junto com o outro no problema, num “abraço de afogado”, mas o ajudando a se reequilibrar e, se possível, a encontrar uma solução ou, pelo menos, colocar-se numa atitude mais favorável para ser ajudado por pessoas neste plano e pelo plano espiritual.

Por outro lado, Jesus não é apenas uma figura histórica ou bíblica. Para o vivenciarmos e senti-lo precisamos ir além da compreensão intelectual, “porque a letra mata, mas o Espírito vivifica”, como escreveu Paulo de Tarso (II Coríntios 3:6). Jesus, para os que nele crêem, é uma realidade viva!

Quando frustrados, inseguros, tristes ou nos sentindo sós, ao fazermos um esforço de nos elevar, pensando com fé em Jesus, sua imagem iluminada dissolverá nossos pensamentos negativos, reequilibrando-nos, incultindo-nos novas esperanças e paciência. Mas, também é importante pensarmos nele agradecidos, quando alegres, felizes, bem sucedidos em nossos bons objetivos.

Às vezes, ligarmo-nos com Jesus é difícil, quase impossível. Mas o problema, nestes casos, está conosco, pois o Mestre do Amor, da Paz e da Luz é como um sol que irradia constantemente, e cujos efeitos sentimos mesmo nos dias encobertos e à noite. Até mais do que o sol: onde quer que estejamos, por mais escuro e escondido em que seja o lugar onde nos encontramos, da maneira que estivermos, poderemos nos conectar a Jesus. Nestes momentos mais difíceis, quando atravessamos o “vale das sombras” (Salmos 22:4), quando o amanhecer parece estar muito distante e até duvidamos que o sol possa surgir novamente, precisamos insistir, fazer como a viúva na parábola do juiz iníquo (Lc 18:1-7). Se perseverarmos, a presença de Jesus se fará em nosso espírito, iluminando-nos como o sol, quando as nuvens se abrem num dia cinzento, renovando nossa esperança e fortalecendo nossa fé.

Atualização de Cultura, por Deolindo Amorim

Este lúcido texto do jornalista, escritor e conferencista espírita brasileiro,   Deolindo Amorim (1906 - 1984), publicado no Anuário Espír...