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terça-feira, 28 de agosto de 2012

HABILIDADES DE ATENÇÃO PLENA - Parte 2: Habilidades do Tipo O QUE - 2a. Série de Exercícios

Continuo, com esta postagem, a série Habilidades de Atenção Plena, cuja última postagem foi HABILIDADES "O QUE" DE ATENÇÃO PLENA, de 10/08/2012. Os exercícios aqui expostos são continuidade dos exercícios da postagem HABILIDADES DE ATENÇÃO PLENA - Parte 2: Habilidades do Tipo O QUE, de mesma data.


2ª Série de Exercícios Práticos: faça os seguintes exercícios. Primeiro só perceba, observe. Depois descreva o que você percebeu. Se você se distrair durante estes exercícios, observe-se,  tomando consciência de que está se distraindo. 
  
1. Imagine que sua mente é uma grande tela, e que os pensamentos  e imagens que lhe vêm estão aparecendo nesta tela. Você pode controlar o ritmo com que eles aparecem na tela. Perceba cada pensamento e imagem, mas não julgue, só observe. Em seguida, descreva para si mesmo como foi esta experiência, que dificuldades teve.
  
2. Imagine que sua mente é o céu, e os pensamentos (descrições, raciocínios e avaliações) e imagens são as nuvens. Observe cada nuvem à medida que passa lentamente (ou rapidamente).  Em seguida, descreva para si mesmo como foi esta experiência, que dificuldades teve.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

HABILIDADES DE ATENÇÃO PLENA - Parte 2: Habilidades do Tipo O QUE

A. Dois tipos básicos de habilidades de atenção plena: (1) habilidades do tipo "O QUE" (i.e., o que fazer) e (2) habilidades do tipo "COMO" (i.e., como fazer).

B. Habilidades do tipo "o que": observar, descrever ou participar. É importante realçar que somente podemos praticar uma dessas habilidades de cada vez, não as três ao mesmo tempo. Em comparação, as habilidades do tipo "como" podem ser aplicadas todas ao mesmo tempo.

Observar: é sentir ou vivenciar sem descrever ou rotular a experiência. É notar ou prestar atenção a algo.
Descrever: é usar palavras para representar o que você observa.

Observar é como sentir; não existem palavras. Observar é notar e prestar atenção. Descrever é uma reação a observar; é rotular o que se observa.

Pense em outras diferenças entre descrever e observar.

Exercícios Práticos: faça cada um dos seguintes exercícios. (Primeiro vivencie, só sinta. Depois descreva o que sentiu, em que partes do corpo essa sensação foi mais perceptível, e como foi ela.)

1. Sinta suas costas no encosto da cadeira. Agora, descreva para si como foi esta sensação.

2. Sinta sua mão sobre uma superfície fria (p.ex., uma mesa ou cadeira) ou uma superfície quente (p.ex., sua outra mão). Agora, descreva para si como foi esta sensação.
  
3. Preste atenção e tente sentir o seu estômago, seus ombros. Agora, descreva para si como foi esta sensação.

4. Bata logo acima do lábio superior, depois pare de bater e veja quanto tempo leva até você não sentir mais a sensação que provocou no lábio. Agora, descreva para si como foi esta sensação.
  
5. Observe em sua mente os dois primeiros pensamentos que tiver. Agora, descreva. Conseguiu observar os 2 primeiros pensamentos? Que dificuldades teve para isto? Repita este exercício de tentar observar os 2 primeiros pensamentos que tiver até que consiga fazer isto adequadamente.

Mais uma vez: observar é como sentir, sem palavras. Descrever é utilizar palavras ou pensamentos para rotular o que se observa.

Descrever um pensamento como pensamento exige que se note que é um pensamento em vez de um fato. Por exemplo, há diferença entre pensar "sou incompetente" e ser incompetente, ou seja, posso não ter ainda competência para realizar determinada coisa (p.ex., voar de asa delta, negociar eficazmente condições de trabalho e salário com meu chefe etc.), mas isto não significa que seja incompetente de uma forma geral, pois realizo bem várias outras coisas.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

HABILIDADES DE ATENÇÃO PLENA – Parte 1: INTRODUÇÃO


       Num artigo publicado no suplemento do New York Times da Folha de S. Paulo, no dia 24/01/2011, “Os Riscos de Ser Multitarefa na Guerra”, os autores, Thom Shanker e Matt Richtel, analisam os problemas enfrentados por oficiais da inteligência americana. Esses oficiais ficam conectados on line por horas, recebendo e analisando múltiplas informações simultâneas. O trabalho deles pode ser exemplificado por Josh, um tenente de 25 anos da Força Aérea dos EUA, o qual, “durante 12 horas por dia, (...) monitora uma avalanche de imagens em dez telas” (...), simultaneamente em que fica “com um fone em um ouvido, falando com um piloto no ‘headset’ no outro ouvido, digitando no ‘chat’ ao mesmo tempo e olhando as telas”.
       Dizem os autores do artigo que “os militares têm buscado abordagens inovadoras para ajudar os soldados a se concentrar. Num quartel do Exército em Oahu  (Havaí), os pesquisadores empregam o chamado ‘treinamento de aptidão mental baseada na atenção plena’, para tentar ‘reprogramar’ a capacidade de foco do indivíduo. O programa consiste em pedir aos soldados que se concentrem em uma parte do seu corpo, como sentir um pé no chão ou a sensação de estar sentado na cadeira, e que então mudem para outro foco, como escutar o zumbido do ar condicionado”.
       Habilidades de atenção plena, semelhantes às ensinadas a esses oficiais de elite, são centrais à Terapia Comportamental Dialética - TCD, desenvolvida pela Dra. Marsha Linehan, e uma importante técnica auxiliar para a Terapia de Regressão Vivencial criada pela Dra. Maria Júlia Peres.
       Essas habilidades são versões psicológicas e comportamentais das práticas do treinamento espiritual oriental. São baseadas, em grande parte, na prática do Zen. Porém são compatíveis com a maioria das práticas contemplativas ocidentais e de meditação oriental.
       Habilidades de atenção plena são os veículos para equilibrar a "mente emocional" e a "mente racional" e chegar à "mente sábia". Existem três habilidades do tipo "o que" (observar, descrever e participar) e três habilidades do tipo "como" (assumir uma atitude acrítica, concentrar-se em uma coisa de cada vez, ser eficaz).

A)  O foco das habilidades de atenção plena: aprender a controlar a sua própria mente, no lugar de deixar sua mente controlá-lo(a).

Até certo nível, estar no controle da própria mente significa aprender a controlar os processos da atenção - ou seja, aquilo a que se presta atenção e quanto tempo se presta atenção. Pense em exemplos de como sua incapacidade de controlar sua atenção cria problemas e escreva ao menos três.
  
B) Habilidades de atenção plena exigem prática, prática e prática.

Aprender a controlar a própria mente tem a ver com as tradições ocidentais e orientais de meditação desenvolvidas ao longo de milhares de anos. Todas se baseiam na prática, como a capacidade de um mestre de ioga de aguentar a dor, caminhar sobre brasas quentes, etc.

Observações: 
(1) A meditação costuma ser utilizada no tratamento da dor física crônica e em programas de controle do estresse, e é cada vez mais utilizada no tratamento de transtornos emocionais. Desse modo, a meditação pode ser pratica­da fora de qualquer contexto espiritual ou religioso. 
(2) A prática da meditação oriental é bastante semelhante à oração cristã contemplativa, à tradição mística judaica e a formas de oração ensinadas em outras religiões.

É fundamental a prática concreta para aprender novas habilidades. A prática comportamental inclui praticar o controle da própria mente, atenção, comportamento, do corpo e das emoções.

Atualização de Cultura, por Deolindo Amorim

Este lúcido texto do jornalista, escritor e conferencista espírita brasileiro,   Deolindo Amorim (1906 - 1984), publicado no Anuário Espír...